08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A sabedoria de Beethoven


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Além de ser um gênio musical inconteste, Beethoven foi também um sábio e um filósofo. Foi ele quem disse: “O maior traço de superioridade humana que eu conheço, ainda é a bondade”.

Essa é uma verdade que nem mesmo tempos mais modernos, com sua sabedoria inovadora, ousa contestar.

Na saga beethoveniana consta-se que um irmão dele, para não ser confundido com o irmão músico, que não era valorizado na sociedade da época, mandou inscrever, abaixo do nome, em seu cartão de visitas “Proprietário de terras”, e que Beethoven, ao saber disso, mandou que no seu cartão, abaixo do nome, se escrevesse “proprietário de um cérebro”. E não há dúvida de que Beethoven, como cada um de nós, era proprietário de um cérebro. E se esse cérebro se valorizar, se enriquecer, hoje sabemos que teremos mais valor.

Naqueles tempos remotos se valorizava mais o “ter” do que o “ser”, e por muito tempo, assim a sociedade valorizava o homem; ele valia pelo que tinha, e não pelo que era.

Em nossos dias, parece que se começa a dar um pouco mais de valor ao conhecimento que se consegue adquirir ao longo da vida.

Um exemplo desse despertar para a riqueza interior, para o acervo, a poupança que cada um, com seu próprio esforço conseguiu amealhar dentro de si, é o lema que foi a grande e simples verdade pregada pela feira do livro em Porto Alegre, no fim do ano passado: “Ler enriquece”.

Parece que a mídia mais culta está conseguindo, finalmente, entender que a única riqueza inalienável, pessoal e intransferível é o conhecimento que se adquire e que depende apenas do esforço de cada um e só, cada um por si mesmo, é que consegue se e quando quiser aumentar essa riqueza, estando certo de que ela é só dele e de mais ninguém e nunca será perdida, nem mesmo com as quedas das bolsas não só de Nova York como do mundo inteiro.

Isolina Bresolin Vianna – ABLetras - cad. 12