Mesmo com os reflexos da crise mundial que atingiram fortemente os níveis de exportação da cidade nos últimos dois meses do ano passado, Bauru fechou 2008 com saldo positivo na balança comercial. De janeiro a dezembro, as exportações alcançaram US$ 209,766 milhões e as importações, US$ 100,239 milhões. A diferença entre os números implicou em um saldo de US$ 109,526 milhões na balança.
O número representa uma queda de apenas 3% em relação ao resultado obtido em 2007, quando a balança comercial da cidade teve o maior superávit dos últimos dez anos, atingindo um saldo de US$ 112,937 milhões. Nos 12 meses daquele ano, Bauru obteve US$ 180,226 milhões em exportações, contra US$ 67,289 gastos em importações. Os dados constam de um levantamento da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), que inclui os resultados de exportações e importações realizadas por empresas bauruenses desde 1997.
A instalação de grandes indústrias na cidade entre 2006 e 2007, que embalou o recorde do ano passado, também foi a responsável pela manutenção de índices positivos na balança, segundo avalia Jair Manfrinato, diretor-adjunto do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Bauru. Com o incremento de faturamento trazido por estas novas fábricas, o saldo de 2008 conseguiu se manter estável, mesmo com queda acentuada no volume de exportações em novembro e dezembro, gerada pelo agravamento dos reflexos da crise no Brasil.
“A tendência era que batêssemos um novo recorde mas, em dezembro, começamos a importar mais do que exportar. Os valores dos ‘commodities’ (produtos básicos, matéria-prima) agrícolas e minerais, que é o forte da nossa exportação, sofreram queda no preço, comprometendo os resultados finais”, analisa.
Ele, no entanto, defende que economia da cidade, por estar baseada em ramos de atividades diversificados, teve maiores condições de se manter equilibrada. “A cidades que dependem de um único segmento, como o calçadista, por exemplo, acabam sofrendo mais com queda na produção e desemprego”, comenta.
De acordo com os dados da Secex, no ano passado os produtos mais vendidos por empresas de Bauru a outros países foram, pela ordem, barras de ferro e aço (US$ 69,131 milhões), baterias elétricas de chumbo (US$ 24,034 milhões) e carnes bovinas desossadas congeladas (US$ 19,348 milhões).
Em relação às importações, lideram a lista as formas brutas de chumbo refinado, com US$ 17,683 milhões de participação no total de 2008. Em segundo lugar vêm os produtos a base de borracha para fabricação de confeitos (US$ 13,078), utilizados por uma empresa local que adquire os componentes de uma filial na Espanha, manufatura e exporta novamente. Os países que mais exportaram produtos para Bauru são Argentina, Chile e Estados Unidos.
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Perfil da indústria ajudou
Para o diretor regional da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), José Luiz Miranda Simonelli, o fato de Bauru não possuir empresas do setor automotivo, de algumas modalidades de maquinários e de equipamentos – ramos que foram mais atingidos pela crise no Brasil – também contribuiu para os resultados de 2008. Para se ter uma idéia, no Estado de São Paulo a balança comercial fechou com déficit de US$ 8,638 bilhões, contra um superávit de US$ 3,315 bilhões registrado em 2007.
“Talvez esses setores, que estão localizados na região da Grande São Paulo, tenham puxado os resultados ruins do Estado. Mas não podemos imaginar que, em Bauru, estamos seguros em uma ilha. Certamente esses reflexos negativos serão sentidos mais tardiamente pelas indústrias daqui, porque elas negociam diretamente com empresas de todo o Brasil e do mundo”, frisa.
Segundo ele, o segmento alimentício, um dos principais ramos de atividade da indústria local, será o último a ser afetado pela desaceleração econômica. “Isso porque são itens considerados de primeira necessidade, que nunca deixam de ser consumidos. Mas eles também podem ser afetados, sim, porque o consumidor ainda continua sem acesso a crédito”, pontua.
Assim como Jair Manfrinato, Simonelli acredita que os efeitos da turbulência econômica global serão sentidos pela economia da cidade pelo menos até o final do primeiro trimestre de 2009. “Se medidas efetivas não forem tomadas por parte do governo federal, a situação poderá ficar pior e todos os setores vão sofrer”, finaliza.