10 de julho de 2026
Esportes

Fahel ‘pulso firme’ ou ‘light’? O elenco decide

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 4 min

“Quem vai ditar o comando é o grupo”. Dessa forma Fahel Júnior, apresentado ontem como novo técnico do Noroeste, anuncia como será a forma de trabalhar com o elenco, em busca de reabilitação no Campeonato Paulista. “Se o grupo for dedicado, o comando vai ser light”, atribui. Porém, se pintar “corpo mole”, o comandante anuncia: “É muito mais fácil dirigir um grupo que queira. Prefiro trabalhar com profissionais. Hoje não tem mais espaço para ‘bandido’ no futebol”, decreta o novo treinador, que, entretanto, refuta os rótulos de “linha dura” ou “paizão”.

O esmero em questão foi justamente um dos principais atributos que impulsionaram a diretoria a trazer Fahel do Rio Grande do Sul, onde comandava a Ulbra, afirmou o presidente do Noroeste, Damião Garcia, que fez o anúncio oficial da contratação. “Precisávamos de alguém que tivesse vontade de trabalhar no Noroeste. Ele tem e por isso a nossa escolha”, justifica o mandatário.

A experiência de Fahel Júnior, acrescenta Garcia, também pesou para a contratação. “O Fahel fez um bom trabalho no Santo André e ficou 15 anos no Japão. Graças a Deus aceitou (a proposta). Foi muito bom para nós”, chancela.

Logo após coletiva à imprensa, Fahel se reuniu com o elenco a portas fechadas e evitou detalhar aos jornalistas qual seria o teor da conversa que teria com os jogadores. Logo após o momento particular junto aos atletas e comissão técnica, numa resenha que durou apenas alguns minutos, o grupo subiu ao gramado do Alfredo de Castilho para seu primeiro treino sob nova batuta.

A atividade, que também teve a participação do auxiliar técnico Careca Paiva e o preparador físico João Goulart, trazidos pelo treinador, começou com um trabalho físico, procedido por um treinamento específico para toque de bola. Fahel Júnior comandou a primeira movimentação tendo como “titulares”, apenas no início, peças que atuaram na derrota frente à Portuguesa, no último domingo.

Entretanto, o novo treinador promoveu algumas mudanças durante o treinamento, entre elas a observação de Alessandro Cambalhota no hipotético “time titular”, de onde George, que atuou no final de semana, foi sacado, para dar lugar a Marcelo Santos, no restante da atividade preparatória, acompanhada, do início ao fim, pelo presidente Damião Garcia.

O treinamento ainda teve como novidades a presença de Giovanni, lateral-esquerdo que estava contundido e atuou integralmente no suposto “time reserva”, além de Careca, atacante que também vestiu o colete laranja. A formação titular provisória treinou de azul.

Análise

O treinador acredita ser precoce qualquer anúncio sobre contratações ou dispensas e afirma que, a princípio, primará para uma melhora do elenco como igual. “Vamos analisar bem o grupo, sem chegar com o chicote, não tem essa”, anuncia. “Muitos dizem que ‘se hoje terminasse o campeonato estaria rebaixado. Não vai terminar hoje, restam 15 partidas e temos totais condições de reabilitar o time”, assegura.

Sobre o alegado “inchaço” no plantel, com mais de 30 jogadores, o técnico procura minimizar a grande quantidade de atletas, mas também não descarta possíveis dispensas. “São 34 jogadores. O ideal é trabalhar com 28 ou 29”, admite Fahel, que, em seguida, pondera : “Se o grupo tiver qualidade, vamos manter (os atletas). Do contrário, vamos procurar solução”, ressalva.

Fahel afirma descartar contratações imediatas e diz que, a princípio, não tem indicações a fazer para a diretoria. “Se o jogador está no Noroeste, é porque tem alguma condição. Se vieram por indicação do Ruy ou de outro treinador, é porque têm alguma condição”, valoriza. “Nada vai ser precipitado”, garante. “Temos uma semana boa para trabalhar. Não tem nada de sufoco, nada de abismo”, tranqüiliza.

O mais importante na semana que antecede ao jogo contra o Oeste, domingo, em Itápolis, aponta o treinador, é dar padrão de jogo à equipe. “Seria muito bom se eu tivesse uma pré-temporada. Mas não vou me lamentar pela falta de tempo. Vamos trabalhar, tenho a maneira que gosto de jogar, um estilo que gosto e vou tentar colocar aqui”, vislumbra Fahel, que também afirma que não utilizará padrões que, por ventura, não combinem com o perfil de seu plantel. “Não vou colocar um estilo que os atletas não se adaptem. Vou procurar a melhor maneira”, dosa.