As condições de vida hoje no Assentamento Aimorés, localizado na divisa dos municípios de Pederneiras e Bauru, nem de longe lembram as de 6 anos atrás, quando os sem-terra acamparam numa área pertencente à Rede Ferroviária Paulista (Fepasa), que posteriormente foi desapropriada para reforma agrária. Ontem, na assembléia do aniversário de 6 anos do assentamento, as famílias reivindicaram melhorias à prefeita de Pederneiras, Ivana Camarinha, e a vice-prefeita de Bauru, Estela Almagro.
As famílias assentadas querem que as duas prefeituras se comprometam em desenvolver ações comuns na recuperação e manutenção de estradas de acesso e no interior do assentamento, no abastecimento de água, transporte coletivo, saúde, educação, incentivo para a produção e comercialização da safra. Atualmente a produção está restrita a 30% dos assentados, que cultivam milho, feijão, mandioca, amendoim, melancia, entre outras culturas.
A infra-estrutura ainda é precária, mas a coordenação do assentamento diz que obteve conquistas importantes. Dos 10 poços artesianos previstos para as duas glebas, cinco já foram perfurados; a CPFL teria prometido a instalação da energia elétrica em todo o assentamento até o mês de abril. Já o Incra liberou crédito para a manutenção da terra e início da construção das casas.
A prefeita de Pederneiras, Ivana Camarinha, disse que já comprou algumas caixas d’ água para ajudar no abastecimento das famílias, oferece transporte para as crianças que estudam no distrito de Santelmo e na cidade, vai cobrar do Incra mais agilidade na perfuração dos poços e garantiu que o município vai investir R$ 500 mil na construção de uma ponte de concreto sobre o rio Bauru.
O secretário municipal de Agricultura e Abastecimento de Bauru, José Carlos Zito Garcia, disse que vai disponibilizar tecnologia para a produção dos assentados, que poderão participar de cursos ligados à agroindústria e fruticultura, em Tibiriçá. Além disso, vai viabilizar espaços nas feiras livres para que os assentados possam comercializar seus produtos em Bauru. Estela, por sua vez, disse que vai se empenhar ao máximo junto ao Governo Federal para buscar verbas que possam viabilizar projetos importantes na área. E no que depender da prefeitura de Bauru vai sugerir ao prefeito Rodrigo Agostinho total apoio ao vizinho município, na implantação de programas de saúde, educação, cultura e de apoio à agricultura familiar.
Marlene Dirce Ferreira de Souza participa da história do assentamento desde o início, há seis anos. Atualmente, já colhe os frutos da terra pela qual lutou. Planta milho e mandioca enquanto observa a construção de sua casa de alvenaria. “Ainda não é a dos sonhos, mas vamos chegar lá. Quero um dia ter uma grande varanda”, comenta.
Bem antes de iniciar a obra, viveu sob lona. “Você não sabe o que é dormir com uma enxurrada passando por baixo de você”, diz ao recordar das fases difíceis.