Familiares, amigos e clientes da costureira Ida Kanô, 81 anos, moradora dos Altos da Cidade, ficaram chocados com o assassinato da idosa ontem, em Bauru. Descrita como uma pessoa caprichosa, independente e muito ativa, a mulher foi achada morta dentro de sua casa na quadra 12 da rua Monsenhor Claro, no início da tarde. A residência estava toda revirada, com sinais de arrombamento em uma das portas internas. Ela estava caída no corredor do imóvel, com ferimentos profundos na face. Após o exame necroscópico, foi constatado que ela também foi violentada sexualmente.
De acordo com a Polícia Militar (PM), por volta das 13h30 de ontem, uma cliente da costureira foi até a casa dela. Ao perceber a porta entreaberta, chamou por Kanô. Como a idosa não respondia, entrou em contato com a sobrinha da vítima, porque a costureira morava sozinha e não tinha filhos. Após chegar à casa da tia, a sobrinha encontrou o corpo de Kanô caído no corredor.
“Ela foi até a Base Comunitária Sul informar o que tinha acontecido. A Polícia Militar foi à residência, constatou o crime e preservou o local até a chegada da Polícia Científica”, explica o comandante da 1.ª Companhia da PM, capitão Renato Ramos. O comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4.º BPMI), tenente-coronel Benedito Roberto Meira, e o coordenador operacional da unidade, major Airton Iósimo Martinez, acompanharam a ocorrência. O tenente Arthur Brandi, comandante da base que atendeu o chamado, também foi ao local.
Os policiais verificaram que a residência estava toda revirada, como se alguém procurasse alguma coisa de valor. Além disso, havia sinais de arrombamento no telhado e em uma das portas internas do imóvel. Na cozinha havia uma porção de carne colocada para descongelar e na mesa, um copo de café com leite e um pedaço de pão, o que sugere que o crime tinha ocorrido horas antes, quando a costureira tomava café da manhã.
Kanô foi encontrada caída no corredor próximo ao banheiro, com ferimentos na face. Segundo tenente Brandi, não foi localizada nenhuma arma na residência, nem pedaços de madeira que pudessem ter sido usados contra a costureira. A polícia também não soube determinar por onde o criminoso possa ter entrado.
Ramos frisou que a PM vai verificar com os comerciantes vizinhos que possuem sistema de monitoramento por câmeras se há imagens da residência na tentativa de que auxiliem nas investigações.
O delegado Carlos Creppe Júnior, do Plantão da Polícia Civil, foi até a casa da idosa, assim como investigadores e o delegado Clédson Luiz do Nascimento, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG).
A Polícia Científica foi acionada para periciar o local. Uma das possibilidades é que algum objeto da própria residência tenha sido usado para golpear a costureira. O corpo da vítima foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) para o exame necroscópico. O crime foi registrado na Polícia Civil como latrocínio – roubo seguido de morte. Porém, não está esclarecido se realmente alguma coisa ou dinheiro foi roubado da casa.
O corpo de Ida Kanô está sendo velado na sala 1 do Centro Velatorial Terra Branca. O enterro está programado para as 11h de hoje, no Cemitério da Saudade.
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Violência
O exame nescroscópico do IML encerrado no final da tarde de ontem apontou que a costureira Ida Kanô foi atingida mais de uma vez na face por um instrumento contundente. Os golpes provocaram um trauma cranioencefálico, com afundamento do nariz e mandíbula, levando a idosa à morte. O exame também constatou que houve violência sexual. Em outubro do ano passado, uma idosa de 81 anos também foi vítima de violência sexual na Vila Cardia. Um homem bateu à sua porta e pedido um copo de leite. A idosa, que também morava sozinha, teria deixado a porta entreaberta e o homem aproveitou da situação para entrar no imóvel. O agressor atacou a idosa, a violentou e fugiu levando R$ 400,00. O caso não foi esclarecido.