10 de julho de 2026
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Cidadania e educação financeira


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O Mundo mudou, ou melhor, sempre está em mudança. Talvez nas últimas décadas, e muito mais nos últimos anos, as transformações estão mais rápidas, e com força jamais vista, podendo atingir um contingente considerável da população mundial. Como exemplo, pode-se visualizar a rapidez e o avanço tecnológico dos veículos de comunicação, e consequentemente o enorme impacto no dia-a-dia das pessoas. Também os aspectos econômicos estão mais complexos e atuantes por todas as classes sociais.

As mudanças e impactos econômicos podem ser constatados no trabalho, no consumo, na produção e no sistema financeiro mundial. A crise vivida por todos, desde o ano passado, serve para nos alertar que o mundo é mais complexo do que imaginamos, e esse novo quadro envolve a todos.

Um olhar mais atento para os fatores econômicos é um longo processo que está atrelado a formação e desenvolvimento educacional humano. A sofisticação do comércio na história humana, e a inserção da moeda nas trocas comerciais induziram um contato mais íntimo com a economia. Todas as mudanças econômicas vivenciadas atualmente, nada mais são que a sofisticação e o aperfeiçoamento do sistema vigente, que é o capitalismo. A nova configuração econômica influencia as mais diversas atividades sociais, estando presente cada vez mais forte na educação.

A própria atividade educativa faz parte da atividade econômica, pois é a educação que prepara a mão-de-obra, e produz um terreno fértil para as inovações e novas ideias na ciência. Porém, o contato com os assuntos econômicos é pouco abordado nas instituições educacionais em nosso país.

O preconceito para com assuntos relativos ao dinheiro ainda é forte, e muitos educadores pensam que o manuseio do dinheiro não é nobre, e muito menos científico. Triste fato, pois só com a sofisticação das relações econômicas é que se possibilitou o avanço das mais diversas ciências que compõem a grade curricular escolar atual.

No período militar (1964-1984), existia no currículo das escolas as importantes “Técnicas Comercias”, entretanto, com o fim do regime a matéria foi preterida. O interesse de relatar esse fato não é para louvar o regime militar, mas apenas indicar que a prática econômica já esteve num lugar apropriado para a formação dos jovens.

Um fato louvável atualmente é o aumento das matérias sobre o cotidiano econômico da população. Dentro dessa tendência o JC cumpre seu papel de veículo, não só de informação, mas, também de auxílio à cidadania. São inúmeras as matérias que o periódico alerta sobre juros, consumo, empréstimos, comércio, assim prestando um enorme serviço a educação financeira dos leitores.

A educação financeira deve estar presente não só em nossas famílias, mas também nas discussões dos professores e alunos. È urgente que os estudantes saibam que consumir é um tremendo ato de responsabilidade, com seus recursos e dos pais.

O empreendedorismo, muito divulgado nos dias de hoje nas escolas brasileiras, é um passo inicial, porém a base para o entendimento econômico ainda é frágil. Há um total analfabetismo quanto ao valor da poupança, a eficiência dos juros benéficos, a responsabilidade para consumir e a relação financeira honesta. Nosso país passa por um momento de aumento intensivo e extensivo do consumo. Mesmo com a crise do sistema internacional atualmente, milhões de brasileiros passaram a consumir e entrar em contato com fatores econômicos mais complexos. Para enfrentar novos desafios a educação e as informações devem estar presentes no cotidiano dos alunos.

A reformulação da grade curricular das escolas deve se atentar para essa mudança vivida, deste modo destinar um novo e maior tempo para a educação financeira é urgente. O preparo financeiro do estudante acarretará um melhor leitor, consumidor e principalmente um cidadão mais responsável.

O autor, Eli Fernando Tavano Toledo, é professor de Geografia e bacharel em Jornalismo – Unesp Bauru