10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Construção civil sente efeito da crise

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

O setor da construção civil na região de Bauru fechou 1.033 postos de trabalho em dezembro do ano passado, segundo pesquisa do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) e da FGV Projetos, com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O número representa uma redução de 4,2% no nível de emprego do setor em relação a novembro. De acordo com o estudo, a baixa está sob efeito da deterioração das expectativas da economia brasileira, além de efeitos sazonais (típicos do período), como chuvas e férias.

No Estado de São Paulo, o levantamento apurou que a queda percentual no emprego ante novembro foi de 2,62% (menos 15.940 vagas) em dezembro, o que, descontados os efeitos sazonais, implica em uma redução de 0,96% no número de trabalhadores com carteira assinada no setor. Isso significa que 37% das demissões na construção civil paulista ocorreram por outras razões alheias ao período que caracteriza os finais de ano.

Para se ter uma idéia da mudança de paradigma de um ano para outro, em Bauru foram fechadas apenas 47 vagas no setor em dezembro de 2007, segundo o Caged. Já no mesmo período de 2008, foram extintos 537 postos de trabalho. “A cidade não foge do que está acontecendo no Brasil. Houve uma quantidade de demissões além do normal para esse período”, analisa o diretor regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) em Bauru, Renato Parreira.

Embora Bauru também tenha registrado diminuição do nível de emprego em dezembro, o setor na cidade conseguiu fechar o ano de 2008 com um saldo positivo de 851 postos de trabalho criados em 2008, entre 10.944 admissões e 10.093 desligamentos. Parreira explica que os efeitos deletérios da crise tardaram a chegar porque o ciclo produtivo da construção civil é longo, e é este fator que também deverá garantir que as atividades permaneçam aquecidas por mais algum tempo, mesmo que em ritmo menos acelerado.

“O ano passado foi muito bom para a construção civil, que cresceu 10%. Com esta atual desaceleração, que está um pouco maior do que a gente esperava, a expectativa é de que o crescimento seja de 4% em 2009”, pontua.

Já neste ano, ele destaca que o nível de atividade foi reduzido para um patamar bem abaixo que o de 2008, com diminuição no número de contratações de novas obras. “No ano passado, faltava mão-de-obra, cimento, andaime, materiais de consumos básicos para a construção civil, em função do ‘boom’ do mercado. Agora, já há uma comodidade para encontrar esses materiais”, aponta o diretor.

Apesar do quadro menos eufórico que o de meses atrás, Parreira informa que os empresários ainda estão otimistas e aguardando qual será o desempenho da economia depois do Carnaval. Embora prefira não fazer projeções para 2010, ele acredita que a recuperação do nível de emprego dependerá muito das conseqüências que forem geradas a partir das medidas que estão sendo lançadas pelo governo federal.

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Ritmo

Para Riad Elia Said, diretor regional do Secovi e empresário da construção civil, no entanto, os números da crise ainda não chegaram à prática no setor. Segundo ele, os lançamentos imobiliários seguem no mesmo ritmo do ano passado e ainda há dificuldade em encontrar mão-de-obra para trabalhar nas obras.

“Há poucos dias, profissionais de marcenaria tiveram que ser trazidos da Bahia para trabalhar aqui em Bauru, porque não encontramos pessoal, nem colocando anúncio em jornal. Se ocorreu algum efeito da crise, foi em uma proporção imperceptível”, observa.

Mas, de acordo com o estudo do SindusCon-SP, em dezembro as demissões superaram as contratações em todas as regiões do Estado. O destaque negativo foi Sorocaba, que dispensou 2.372 pessoas no mês (baixa de 3,55%). Em Presidente Prudente, as empresas demitiram 592 trabalhadores, o que representou queda de 7,38% no estoque do setor na região. Na Capital paulista, o recuo do índice em dezembro foi de 1,71%, com 4.957 postos de trabalho extintos.