Numa solenidade formal, como exige o protocolo do Exército, autoridades de Bauru acompanharam ontem pela manhã a troca de chefia da 6.ª Circunscrição de Serviço Militar (CSM). Na presença do general de brigada Eduardo Segundo Liberali Wizniewsky, comandante da 2ª Região Militar de São Paulo, o coronel Vladimir Vieira transmitiu o cargo ao coronel de infantaria Henrique Ribeiro Rhoden, que veio de Ponta Grossa, Paraná.
Militar há 27 anos, ele era chefe da seção de inteligência da 5ª Brigada de Cavalaria Blindada. Trabalhou muitos anos no Rio de Janeiro e em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. “O sonho de todo militar é comandar. Nós somos preparados desde a nossa formação. Onde houver designa, nós iremos com certeza com muita vibração e muita honra”, disse. Segundo o novo comandante da 6ª CSM, ainda será necessário conhecer as necessidades locais antes de tomar qualquer atitude, sempre seguindo as diretrizes do Exército.
“Mas a 6ª CSM foi muito bem conduzida pelo coronel Vladimir. Acredito que seja mais a manutenção do que já vem sendo feito há alguns anos”, comentou. Seu antecessor foi para Caçapava, também no Estado de São Paulo, numa transferência normal, realizada geralmente a cada dois anos, independentemente de promoções. Deixará como marca a preocupação com as questões humanas.
“O que eu procurei fazer foi trabalhar uma parte mais avançada dentro da liderança, da chefia. Significa aquela parte intangível, aquela parte da alma das pessoas, falando coisas não só da obrigação diária, mas tentando atender o homem, suas inquietações, frustrações. Nós conversamos muito com eles a respeito da pessoa humana, da alma, creio que isso foi o diferencial”, afirmou Vieira, reiterando a conduta já elogiada pelos militares na 6ª CSM.
Amazônia
Como é praxe, a solenidade foi presidida pelo general Wizniewsky, que representou o comandante do Exército, general Enzo Martins Peri. “A substituição do chefe da 6ª CSM é um ato normal de rotina. A 6ª CSM continuará mantendo suas atuais missões sem qualquer alteração”, explicou. No entanto, ele informou que o Exército está reorganizando os efetivos e realocando algumas unidades em resposta à nova Estratégia Militar de Defesa, que prioriza a Amazônia.
“É algo novo. Basicamente, a estratégia nacional de defesa foi lançada para adequar o dispositivo militar existente às nossas necessidades e à realidade. Para reforçar o dispositivo, algumas unidades estão se deslocando. Na área do Exército, nós já vínhamos adotando algumas medidas nesse sentido desde 1998. Porém, com a estratégia nacional de defesa esse processo está se acelerando”, enfatiza.
De acordo com ele, a Amazônia é uma área prioritária até pelas características da região: baixa densidade populacional, grande extensão de fronteira e dificuldade com poucas estradas e ligações. “É uma região onde as comunidades tendem a ficar muito isoladas. A estratégia nacional de defesa foi fruto de um trabalho dividido entre o ministro Mangabeira Unger, dos Assuntos Estratégicos, e o ministro Nelson Jobim, da Defesa, que a finalizaram e interagiram com as três Forças Armadas. Mas as mudanças em Bauru nada têm haver com isso”, conclui.