Brasília - Virtual candidato do PSDB à Presidência da República, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), negou ontem que tenha medo de enfrentar a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) como adversária nas eleições de 2010. Mas o tucano reconheceu que a ministra deve ser uma candidata respeitada por qualquer adversário.
“Ninguém pode ter medo”, afirmou o governador, depois de reunião de cerca de uma hora com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), no Palácio do Planalto. “Se a ministra Dilma for candidata, é garantia de uma campanha de altíssimo nível.”
Aécio destacou ainda que as eleições de 2010 terão um “fator novo” que será a ausência da candidatura de Lula. “É um fator completamente novo”, afirmou ele, informando que esse detalhe pode alterar o quadro político nacional.
Sorridente, o governador além de fazer elogios à Dilma também destacou as virtudes do presidente Lula. Segundo Aécio, o sucessor do presidente encontrará um “país bem melhor”, mas ressaltou que o próprio Lula também encontrou um país melhor ao suceder o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Críticas
Sem mencionar o nome do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), com quem deverá disputar as prévias no PSDB, Aécio criticou os que reagem à realização das consultas internas na legenda. O recado foi para o tucano paulista.
“A definição do candidato do PSDB não será unilateral ou de um grupo restrito no que depender da minha ação. Por isso defendo uma consulta mais ampla ao partido. Será a oportunidade para definir também qual será o projeto (da legenda)”, disse ele.
Aécio disse que quer participar da “renovação” do PSDB e afirmou que pretende participar da escolha do nome que irá enfrentar o candidato, apoiado por Lula, nas eleições presidenciais. A questão da realização das prévias no partido depende de decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que deverá julgar ainda este mês uma consulta da Executiva Nacional da legenda.
Aécio reiterou que pretende intensificar suas viagens pelo País, numa espécie de caravana pré-eleitoral. O objetivo dele é preparar os palanques regionais e articular as alianças locais em seu favor.
Paralelamente, o tucano apóia o movimento dos 19 deputados dissidentes do PSDB, que criticam o comando do atual líder da bancada na Câmara, José Aníbal (SP), mas pede que eles não se envolvam diretamente no processo de disputa de forças internas. O movimento dos dissidentes rachou o partido.