Falar de Jurandyr Bueno Filho, que não tive a felicidade de conhecer pessoalmente, é realmente uma honra. Tudo o que li a seu respeito me dá a certeza de que ele foi daquelas pessoas magnânimas, que o tempo não se furtará de lembrar, que deixou marcas indeléveis por onde passou, a servir de estímulo a todos. Muitos, e com maior talento e propriedade, já registraram aqui nestas páginas sobre a figura ímpar de Jurandyr, o que dispensaria qualquer acréscimo.
Apenas quero dizer, em simples e breves palavras, um pouco sobre a arte-ciência que ele praticou com extremada galhardia. Arquitetura pode ser definida como “construção concebida com a intenção de ordenar e organizar plasticamente o espaço, em função de uma determinada época, de um determinado meio, de uma determinada técnica e de um determinado programa.” (Considerações sobre arte contemporânea -1940-. In: Lúcio Costa, Registro de uma vivência. São Paulo: Empresa das Artes, 1995. 608p.il.). Pode-se simplificar, nas palavras do arquiteto João Batista Vilanova Artigas (in Carta escrita em julho de 1945, retirada do livro Vilanova Artigas Série Arquitetos Brasileiros, p. 49, 51 e 52), que “Arquitetura é construção e arte. Arte. Arte não tem livro de regulamento que ensine. Nasce dentro de cada um e desenvolve-se como conjunto de experiências.”
O valor artístico é um valor perene, enorme, inestimável. É um valor sem preço e sem desgaste. Pelo contrário, aumenta com os anos à proporção que os homens se educam para reconhecê-lo. O valor artístico subsiste até nas ruínas. Os anos correm e desgastam o material, enquanto valorizam o espiritual. Assim ficou marcada a passagem de Jurandyr: uma obra insubstituível!
Lúcio Costa, em todo o seu amor pelo Brasil, teve uma frase síntese que sempre me tocou pelo civismo: “O Brasil não será jamais um país medíocre”. Parafraseando esse também grande mestre da arquitetura e do urbanismo, pode-se assentar: “Bauru, depois da obra de Jurandyr Bueno Filho, jamais será uma cidade medíocre em sua arquitetura”.
Por fim, que o Grande Arquiteto do Universo receba o nosso Arquiteto maior de Bauru dando a ele o eterno e merecido descanso.
O autor, Reinaldo A. Aleixo, é procurador do município de Pederneiras, advogado e professor da ITE-Bauru