O clima de tristeza pelo falecimento do vereador Jurandyr Bueno Filho (PPS), ocorrido na última sexta-feira por falência múltipla dos órgãos, aos 66 anos, esteve bastante presente na Câmara Municipal de Bauru ontem. Os cinco vereadores que discursaram na sessão ordinária de ontem aproveitaram os 10 minutos a que têm direito para homenagear o vereador. Jurandyr participou apenas da primeira sessão após o recesso, quatro dias antes de morrer.
Amarildo Aparecido de Oliveira (PPS), que pertence ao mesmo partido de Jurandyr, disse que a Casa perdeu a inocência do vereador morto. “Embora tivesse 66 anos, ele mantinha inocência de criança”, apontou. Amarildo revelou ainda que existe a intenção de criar uma fundação com o nome do vereador falecido. “Temos a intenção de criar um corpo técnico para trabalhar as idéias do Jurandyr e melhorar a vida dos bauruenses”.
O vereador afirmou que seu colega “era um menino que empolgava a todos com suas idéias”. Amarildo também disse que Jurandyr enfrentou a hipocrisia ao tomar frente do projeto que estuda a construção de um novo prédio para a Câmara. “A Casa atual acomoda mal a população. A preocupação era também com quem trabalha aqui e não com os vereadores”, afirmou.
José Roberto Martins Segalla (DEM) citou que freqüentava a casa de Jurandyr. “Tive o privilégio de freqüentar a residência dele de noite e até de manhã cedo”, disse. “Se tinha uma pessoa generosa nesse mundo, era ele”.
O vereador pediu para que a presidência da Casa não retire a foto de Jurandyr da galeria até o fim desse mandato. “Teremos 17 vereadores nessa Legislatura. São 16 em corpo físico e um em espírito”, comentou.
Mais um vereador emocionado que subiu à tribuna foi Fabiano Mariano (PDT). “Todo tempo é pouco para homenagear o Jurandyr”, disse. Ele apresentou ainda um trecho da entrevista de Jurandyr à TV Câmara, em que o ex-parlamentar discorre sobre seu próprio perfil. A entrevista será reapresentada na íntegra pela emissora, nesta quarta-feira, às 20h30, nos canais 10 da Net e 31 UHF. Após ouvir o trecho exibido em plenário, Fabiano foi às lágrimas.
Fernando Mantovani (PSDB) também utilizou a tribuna para falar sobre o colega e se esforçou para completar o discurso em muitos momentos, derrubado pela emoção. “Quando eu nem tinha nascido ele já era um grande homem”, disse. “Em outubro de 2008 conheci Jurandyr pessoalmente e ganhei o presente de Deus de conviver com ele na Câmara”.
Mantovani disse ainda que ganhou, assim como os outros vereadores, uma gravata do colega. “Ele queria nos ver bonitos”, revelou. O vereador também citou as virtudes de Jurandyr. “Era um homem que pensava grande e tinha coração de criança”, apontou. “Jurandyr é um exemplo de pessoa. Ele viveu com muita alegria e amou sua família e seu trabalho”, disse Mantovani.
Roberval Sakai (PP) disse que Bauru perdeu parte de sua história. Ele também fez questão de relembrar um momento especial que viveu recentemente ao lado de Jurandyr e foi gravado pela TV Câmara em uma visita de ambos a um parque no Bairro Nova Esperança, poucos dias antes da morte do colega. O material foi exibido ao vivo. “Podemos simplificar ele numa frase: Jurandyr tinha a cara de Bauru”, disse. “Ele partiu, mas ficará vivo em nossa lembrança”.
Devido à morte de Jurandyr, os dois projetos e duas moções que seriam votados ontem foram adiados por uma semana a pedido do vereador Marcelo Borges (PSDB) e aceito por seus colegas. A segunda sessão legislativa de Bauru se transformou em homenagem ao colega.
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Posse do suplente
O ato de posse do suplente da cadeira do arquiteto Jurandyr Bueno Filho, o também filiado ao PPS Moisés Rossi está marcado para a próxima segunda-feira, às 10 horas, na sala da presidência.
O ato formal é exigência legal para que a suplência preencha a cadeira para completar os 16 integrantes do plenário. Ontem, Moisés Rossi informou à presidência da Câmara Municipal de Bauru que, em respeito ao colega, preferiu não comparecer à sessão legislativa e também considerava mais conveniente aguardar uma semana para o procedimento exigido no Regimento.
Moisés Rossi é policial federal aposentado e menbro do Centro Espírita Amor e Caridade.