Com o pífio saldo de três gols em cinco jogos neste Campeonato Paulista, o setor ofensivo noroestino – o pior da competição, ao lado do Mogi Mirim - deve ser alvo de mudanças para o próximo jogo do Alvirrubro, amanhã à noite, contra o Grêmio Barueri, em Bauru.
Os escassos gols marcados, aliados à enxurrada de oportunidades perdidas, segundo o treinador Fahel Júnior, além de resultantes na péssima campanha do time até o momento – é lanterna da competição – também foram preponderantes para a goleada sofrida anteontem, por 4 a 1, frente ao Oeste de Itápolis, fora de casa. “Poderíamos até (fazer) um ‘4 a 3’ ou um ‘4 a 4’, pelas oportunidades que tivemos”, supõe.
Apesar de cogitar mudanças, Fahel evita nominar os prováveis substitutos da dupla Borebi e Léo Mineiro, escalada com maior freqüência desde o início do Estadual. Um dos jogadores que poderiam começar – pela primeira vez no ano – a partida seria o atacante Valdiran, que luta para chegar no melhor condicionamento físico.
No entanto, o técnico garante que só escalará quem estiver em plena aptidão. “Quero todo mundo bem, tanto física quanto tecnicamente”, antecipa o treinador. “Não adianta colocar simplesmente porque é o Valdiran, o Marinho ou o Viola. Tem que estar bem”, acentua. “Para a parte tática andar o jogador tem que estar bem fisicamente”, relaciona.
Ontem, na reapresentação após a goleada em Itápolis, os titulares e jogadores que entraram no decorrer da partida participaram apenas de atividades físicas, deixando os treinos com bola apenas para reservas e restante do elenco. As mudanças para o jogo de amanhã, contra o atual quarto colocado na tabela de classificação, com 12 pontos, resguarda o treinador, seriam confirmadas apenas depois do treino desta tarde.
Alterações táticas também poderão ser realizadas por Fahel, que, apesar de acenar com essa possibilidade, não atribui os gols sofridos em Itápolis a esse quesito. “Tomamos quatro gols infelizes, que não foram de ordem tática”, isenta. “Conversei isso com o grupo, todos estão cientes disso. Tem de haver uma mudança de comportamento”, prega o treinador, atribuindo o insucesso do fim de semana ao desequilíbrio emocional. “Tem de haver controle dentro de campo para nos organizarmos (após sofrer gol) e não tomarmos o segundo”, salienta Fahel, lamentando o 2 a 0 30 segundos após o primeiro gol. “Tínhamos todas as condições de reverter o resultado, porque estávamos bem. Houve descontrole”, analisa. “Condeno mais o segundo gol do que o primeiro”, lastima.
Emocional
Para o meia Luciano Bebê, que não escondia o abatimento após a reapresentação do elenco, ontem à tarde, na Vila Pacífico, o choque em levar dois gols em seguida caiu como uma ducha de água fria sobre o time, sem poder de reação ante a iminente goleada, imposta pelo Oeste. “Antes estávamos bem. Aí tomamos dois gols em seguida e o time desajustou”, atribui. “No segundo tempo, conseguimos criar, mas não concluímos direito”, reconhece. “Tudo isso atrapalhou muito a nossa equipe, impedindo a gente de conquistar a primeira vitória no campeonato”, acentua o meia, que admite o aumento da pressão sobre o primeiro triunfo no campeonato. “Enquanto essa primeira vitória não vem, as coisas ficam cada vez mais difíceis. A auto-estima fica baixa e tudo o que acontece você acha que é por causa disso (jejum de vitórias”, desabafa. “Vamos procurar essa vitória o mais rápido possível”, promete.
Essa urgência na busca por resultados é endossada pelo treinador: “hoje faltam 14 (jogos), depois 13, em seguida 12. Daqui a pouco restam quatro, e aí estamos com a ‘corda no pescoço’. Aí muda técnico, muda jogador e o barco afunda. Temos que tomar atitude e começar a somar pontos, principalmente nas duas partidas que temos em casa (Barueri e Ituano)”, almeja o treinador, sem deixar de manifestar a frustração com o resultado de anteontem: “não gosto de perder de um, quanto mais de quatro”.
Grupo
Fahel Júnior confirma já ter indicado alguns nomes como possíveis reforços para a luta noroestina por reabilitação no Campeonato Paulista. Apesar de não detalhar sobre as indicações que fez, o treinador garante que o grupo, na atual conjuntura, necessita de qualidade, acima de quantidade. Entretanto, podera Fahel, contratações estariam descartadas, a princípio, já para a próxima partida do time, amanhã, quando o técnico terá de encontrar soluções caseiras. O treinador, apesar do desejo de contar com novos jogadores -, que, segundo ele, teriam de chegar aptos a entrar em campo – reconhece a dificuldade de trazer atletas com o campeonato em andamento.
Amaral fora
O meia Amaral, anunciado no final do ano passado como reforço para o Paulistão, se desligou ontem do clube. Ele, a exemplo do zagueiro Alemão, assinou com o time do Mineiros, de Goiás. Ele é o segundo jogador a deixar o Noroeste em questão de dias. Semana passada, Bruno Lança fez as malas para acompanhar o treinador Ruy Scarpino, que deixou o Alvirrubro para comandar o Linense, na Série A-2 do Campeonato Paulista.
Apesar do inchaço no grupo, com mais de trinta jogadores, o técnico Fahel Júnior não gosta de evidenciar possíveis cortes. “Não falo em dispensa. Isso é conversa interna”, resume. Além de Amaral e Lança, deixaram recentemente o clube o lateral direito Raulen e o atacante Felipe. Quem pode acertar de forma definitiva com o Noroeste é o zagueiro Márcio Alemão, que já treina com o grupo. Ele aguarda aval do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), que aprecia pedido de relaxamento da punição por doping imposta ao atleta, no ano passado, quando ainda defendia o Confiança (SE).
Dois volantes
Diferentemente do esquema com três volantes, com o qual iniciou a partida contra o Oeste, anteontem, Fahel Júnior poderá escalar um time com dois homens na contenção de meio, deixando o setor com mais uma opção de criação, ao lado de Luciano Bebê. “Pode haver a mudança de entrar com dois volantes. Marcinho entrou muito bem”, cogita, ao enfatizar a alteração que fez jogo passado.