Agudos - O prefeito Everton Octaviani (PMDB) anunciou publicamente que não vai pagar a conta de energia elétrica da CPFL Energia em protesto contra o sistema adotado pela concessionária. Para o peemedebista, os relês estariam programados para atrasar o acionamento das luzes dos postes nas vias públicas de Agudos (18 quilômetros de Bauru). A estatal nega a ocorrência do problema.
No último sábado, o prefeito publicou um informe publicitário anunciando a suspensão do pagamento da conta de energia elétrica de R$ 100 mil por mês. Ele justifica o ato porque “a cidade está escura, com ares de lugar abandonado”. Segundo Octaviani, estaria ocorrendo um problema nos relês que só estariam ligando as lâmpadas após 40 minutos de acionados. “As lâmpadas demoram muito para acender. Isso ocorre um pouco além do escurecer e de manhã também se apagam antes do dia clarear.”
Octaviani diz que o problema ocorre há seis meses. “A gente quer uma cidade bem iluminada, antes do anoitecer”, cobra. O prefeito diz que solicitou providências à CPFL mas não foi resolvido o problema. “A prefeitura contrata o serviço e eles têm a obrigação de executar”, diz.
O suposto defeito, apontado por Octaviani estaria gerando uma situação “estranha” na cidade. Em alguns locais os postes ficam acesos e outros não.
O gerente da Cidade e ex-prefeito José Carlos Octaviani diz que no ano passado foram investidos R$ 700 mil para deixar a cidade bem iluminado com troca de lâmpadas de 100 watts para 250 watts e dos suportes de sustentação para o foco de luz chegar até o meio da rua, mas os relés instalados demoram muito para ligar.
Segundo ele, a CPFL não tem atendido os pedidos para melhorar o sistema. “Há descaso. A conta do mês passado não foi paga e desafio para que a empresa venha aqui cortar a energia de algum prédio público”, declarou Octaviani.
Empresa nega problema com relê
O gerente de contas do Poder Público da CPFL, Luiz Antônio de Campos, negou ontem que os relês estejam com problemas. Segundo ele, o sensores são acionados pela luminosidade e não pelo horário. “A engenharia já fez um estudo e nós vamos explicar para eles como que é feito o relê. Ele é fabricado em cima de normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)”, declara.
Campos ressalta ainda que já solicitou informações ao setor de engenharia da CPFL e que apresentará ao prefeito os dados de medição feitos na cidade. “Nós vamos passar todos estes dados técnicos para ele informando a forma de posicionamento, inclusive, com a apresentação das medições que foram feitas para justificar e mostrar que está funcionando conforme foi projetado”, conclui o gerente.
“Tecnicamente pode-se afirmar que as lâmpadas não vão acender e apagar exatamente nos mesmos horários, mas dentro de um intervalo de luminosidade previsto em norma brasileira. Os relés fotoelétricos adquiridos e instalados pela CPFL são de fornecedores homologados e que atendem à norma brasileira”, informou a CPFL.
Segundo a concessionária, no mês de junho de 2008 foram feitas diversas medições na iluminação pública instalada em Agudos e foi constatado que o acionamento das lâmpadas está dentro da faixa estabelecida pela Norma. “Foram registrados acionamentos entre 17h52 e 18h04, horários em que há predominância de luz solar e com intervalos dentro do exigido pela NBR 5123.”, diz a nota.