08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

“Em lagoa que tem piranha...”


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O JC informa-nos em sua página 24 de hoje (07/02) que “Aécio afirma não ter medo de Dilma” numa eventual campanha de ambos, em lados opostos, à presidência da República em 2010. A afirmativa de que não teria medo foi por ele mesmo passada à imprensa ao sair de um encontro no terceiro andar do Palácio do Planalto do qual participaram Luiz Inácio, o próprio Aécio e o recém-eleito prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), apoiado (vejam só) pelo presidente da República (PT) e pelo governador de Minas, Aécio Neves (PSDB).

Tenham certeza que a afirmação do governador dos mineiros não passa de blefe! Sim, um blefe pré-combinado entre os três, por duas motivações: primeiro porque Sua Excelência tem mais é que ter medo do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), a quem ele vai enfrentar como adversário em pleito direto, não em prévias preferenciais e internas do PSDB, mas sim na disputa à presidência da República. Em segundo lugar, porque da senhora Rousseff não há razão para que ele tenha medo mesmo, uma vez que ela, pelo PT, será candidata à vice-presidência da República, tendo como cabeça de chapa o próprio Aécio Neves, já então bandeado, com mala e cuia, para o PMDB (de Temer) ou, até mesmo, para o PT.

E mais, não é outro senão o próprio neto de Tancredo Neves quem comanda a dissidência de dezenove deputados do PSDB, que criticam a qualidade da liderança, na Câmara Federal, do deputado José Aníbal (SP), ao mesmo tempo em que pede, falso como ele só, que os rebelados “não se envolvam diretamente no processo de disputa de forças internas” (sic JC), que provocou um racha no partido, o que, aliás, interessa a ele.

Só não vê quem não quer que o golpe de mestre de Serra, tirando do alcance de Aécio o ínclito atual Secretário do governador de São Paulo, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), nocauteou o governador de Minas Gerais. Sim, porque Alckmin estava sendo avidamente cobiçado pelo PTB, para, uma vez ao partido filiado, tornar-se vice de Aécio numa coligação do PT, PSB, PTB, a parte renitentemente fisiológica do PMDB, “et caterva”, para um enfrentamento ao governador dos paulistas em 2010, tudo com amplo apoio de Lula, que sabia e sabe que Dilma nunca chegará...lá! Digo mais: a agora impossível repartição de votos entre Alckmin e Serra, outra aspiração de Aécio, ficou, assim, mais que anulada, impossibilitada!

Para derrotar o maior colégio eleitoral do Brasil (São Paulo), é indubitável que o segundo maior, o Estado de Minas Gerais, para que Aécio tivesse alguma possibilidade de sucesso, precisaria provocar uma divisão entre os votos dos paulistas, onde o PSDB ganhou, inclusive, -e bem- a última disputa à presidência de República, sufragando, no Estado, o nome de Geraldo Alckmin para a presidência da República, que, agora, se junta a Serra no governo da locomotiva deste país.

Como, com discreto apoio do nosso governador tucano, o presidente do PMDB paulista, partido que forneceu a vice-prefeita Alda Marco Antonio para a chapa encabeçada por Gilberto Kassab, tem compromisso de honra com Serra, que apoiará Quércia ao Senado, a estratégia do governador está, mais que bem montada, otimizada graças a visão política não de um só homem, mas de uma equipe completa que se chama Partido da Social Democracia Brasileira da qual, tudo indica, um dos seus fundadores, por avidez demasiada, está se retirando. Como dizem os caboclos: “em lagoa que tem piranha, jacaré nada de costa”. Em outras palavras, eis aí a concretização do... feitiço contra o feiticeiro!

João Guilherme Ortolan