09 de julho de 2026
Polícia

Trecho crítico da Marechal Rondon tem outro acidente com vítima grave

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Mais um acidente com vítima grave foi registrado ontem na rodovia Marechal Rondon, no município de Bauru, próximo ao local onde anteontem ocorreram um capotamento, uma colisão e um tombamento. Na ocorrência da tarde de ontem, por algum motivo – que pode ser até mesmo a qualidade ruim do asfalto no trecho – Cláudio Cézar Figueiredo Tieppo, 46 anos, trafegava pelo acostamento com sua motocicleta Honda Twister e acabou colidindo contra a traseira de um Del Rey que estava estacionado.

O motociclista ficou gravemente ferido e foi encaminhado, inconsciente, ao Pronto-Socorro Central (PSC). Até o fechamento desta edição, ele permanecia internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base.

O acidente aconteceu no quilômetro 357 mais 600 metros, sentido Capital/Interior, em um lugar próximo às duas ocorrências registradas anteontem. Na ocasião, em menos de uma hora e a menos de dez quilômetros de distância, um automóvel capotou e outro ficou avariado após se chocarem contra a canaleta de escoamento de água existente no canteiro central. Duas pessoas ficaram gravemente feridas e três sofreram lesões leves.

Também no mesmo trecho e horário, um rapaz sofreu ferimentos graves após tombar com sua motocicleta, anteontem. As causas dos três acidentes ainda precisam ser esclarecidas. No entanto, parece difícil imaginar que se trate apenas de simples imprudência coincidente dos condutores em questão.

De acordo com o engenheiro civil Eric Fabris, proprietário de empresa que atua na área de patologia de estruturas, a falta de cautela dos motoristas colabora, e muito, para que acidentes graves aconteçam. Mas ele aponta que algumas deficiências de estrutura que caracterizam a rodovia Marechal Rondon também têm contribuído para que as ocorrências sejam tão freqüentes.

Conforme Fabris, a Rondon foi projetada inicialmente para ser uma rodovia de pista simples. Sua duplicação só ocorreu no início da década de 1990, sem que o traçado original fosse modificado.

O limite de velocidade permitido foi aumentado mas, embora tenha recebido melhorias no pavimento e na infra-estrutura do entorno, a rodovia jamais foi considerada uma pista de classe especial. “Nesta classificação privilegiada estão a Castelo Branco e a Bandeirantes, que são rodovias bastante seguras em vários aspectos”, observa o engenheiro.

Como exemplo da diferença de recursos de engenharia rodoviária que distancia a Rondon do seleto grupo, ele cita a área de escape existente entre a pista de rolamento e a canaleta do canteiro central. “A Castelo Branco possui acostamento à esquerda, o que poucas rodovias têm, mesmo fora do Brasil. Esse trecho serve como área de fuga antes de chegar à canaleta, que é um item de necessidade em qualquer rodovia duplicada”, afirma.

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Drenagem e inclinação

O engenheiro Eric Fabris critica, ainda, pontos na Marechal Rondon em que a drenagem da água falha em dias de chuva forte, formando uma lâmina d’água propícia à rodopios e capotamentos de veículos. Também aponta a inadequação da inclinação e do raio de algumas curvas, insuficientes para que os motoristas dirijam em segurança.

“O quilômetro 321, próximo a Agudos, se tornou histórico neste quesito, porque havia uma curva acentuada e os carros acabavam saindo da pista. A sobrelevação (elevação da margem externa em relação à margem interna) era insuficiente. Hoje aquele trecho foi sinalizado, mexeram na pavimentação, e parece que o problema se resolveu”, aponta.

Segundo ele, a Rondon também possui rampas muito íngremes que, aliadas aos buracos e irregularidades do pavimento, se tornam um convite aos acidentes. “Além do trânsito constante de cargas pesadas, o asfalto sofre com a ação das chuvas e, no início do ano, os órgãos acabam não tendo condições de realizar toda a manutenção. Mas é claro que, neste caso, a grande responsabilidade é da imprudência do motorista que dirige em alta velocidade”, afirma.

Embora os problemas sejam muitos, não existe previsão para que sejam solucionados por conta de uma pendência judiciária referente ao processo de privatização da Rondon. que já se arrasta há pelo menos cinco meses. Isso porque o consórcio BRVias-SP venceu o leilão para assumir o trecho oeste da rodovia, que corta Bauru, mas foi desabilitado pela Agência Reguladora dos Transportes de São Paulo (Artesp). Conforme o JC divulgou, o motivo seria dificuldades na obtenção de crédito, problemas financeiros e descumprimento das regras do edital.

Porém, a BRVias entrou com recurso contestando a decisão. No final de janeiro, pelo menos três empresas concorrentes protocolaram pedido para que o recurso da BRVias fosse impugnado. Segundo a assessoria de imprensa da Artesp, tanto o recurso da BRVias quanto as impugnações interpostas estão sendo avaliadas pelas Comissões de Processamento e Julgamento das Propostas da concessão. Não há previsão de quando o processo será encerrado.