Brasília - Em evento patrocinado pelo governo Lula para reforçar sua visibilidade perante os prefeitos dos rincões mais distantes do País, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) anunciou ontem a construção de um milhão de casas populares entre 2009 e 2010 - ano em que deverá disputar a sucessão presidencial.
A faixa-alvo do megafinanciamento federal será a das famílias cuja renda mensal é inferior a dez salários mínimos (veja quadro). “Vamos garantir primeiro que as pessoas tenham condições de pagar através de suas rendas, para que jamais acumulem o pagamento do aluguel e das prestações”, afirmou a ministra durante o Encontro Nacional dos Prefeitos.
Ela anunciou ainda que o governo tentará diminuir o prazo médio de construção de moradias dos atuais 33 meses para 11 meses e que, para isso, será necessário um novo marco regulatório.
Segundo a ministra, a ideia de estender a cobertura do programa até dez salários mínimos é para chegar à parte da população “onde se concentra o déficit” habitacional, e não apenas aos que vivem em submoradias, atendidos por outros programas, como o de urbanização de favelas. “Vamos garantir primeiro que as pessoas tenham condições de pagar através de suas rendas, para que jamais acumulem o pagamento do aluguel e das prestações.”
Trajando cor-de-rosa e exibindo um sorriso esculpido por sessões de botox e correções cirúrgicas estratégicas, Dilma convocou os prefeitos a atuarem em parcerias com a União e destacou a necessidade de projetos tecnicamente viáveis e bem elaborados para a inclusão de obras no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). “Nós precisamos de vocês, vocês são nossos parceiros, os parceiros do crescimento deste País”, disse a ministra, após o término do discurso de 34 minutos.
Embora o governo tivesse trabalhado para “turbinar” a palestra de Dilma, menos de um terço dos prefeitos que se inscreveram para o evento assistiram ao pronunciamento. Realizada no anfiteatro, que tem 3 mil lugares, a conferência da ministra atraiu menos de 1.700 pessoas.
Ontem, a Subchefia de Assuntos Federativos divulgou que 5.300 prefeitos se inscreveram no encontro e outras 15 mil pessoas participaram dos painéis e seminários de trabalho entre anteontem e ontem.
Depois de Dilma, o presidente do Banco do Brasil, Antonio de Lima Neto, e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, também falaram aos políticos, com menor quórum.