11 de julho de 2026
Política

Conlutas vai a São Paulo para protestar contra as demissões na indústria paulista

Renato Cirino
| Tempo de leitura: 2 min

A defesa dos trabalhadores feita pelas centrais sindicais é frágil. É com esse pensamento que a Conlutas - entidade que reúne o Sindicatos de Servidores Municipais de Bauru (Sinserm), Sindicato dos Bancários, Sindsef, Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Estadual Paulista (Sintunesp) - vai a São Paulo para se manifestar contra a onda de demissões e férias coletivas geradas pela crise mundial, hoje, às 14h, na avenida Paulista, em frente ao prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Segundo o diretor do sindicato dos bancários de Bauru, Paulo Sérgio Martins, só existem demissões porque as centrais sindicais - Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Força Sindical - não estariam apoiando os trabalhadores. “Querem empurrar essa crise nas costas dos trabalhadores”, criticou. “Essas centrais estão visando mais o patronal do que as pessoas que estão sendo demitidas”, completou. A manifestação será em frente ao prédio da entidade que reúne a indústria paulista. “Vamos fazer um barulho lá para que o presidente da entidade, Paulo Skaf, ouça. Tomara que ele não saia de helicóptero”, brincou Martins. Aspecto visto com preocupação pelo Conlutas é o de que direções sindicais que representam setores importantes da classe trabalhadora estariam fazendo acordos para a redução de salários e de direitos. “Isso aconteceu recentemente com os sindicatos dos metalúrgicos do ABC e São Paulo”, revela. “Esses fatos não ocorreriam se tivéssemos sindicatos mais fortes, e por tabela as demissões iriam parar”. Outro ponto combatido pelo Conlutas é o expediente que as empresas usam de conceder férias para seus funcionários. “Pode não haver diminuição de salários nessas férias coletivas, mas, com certeza, depois virão as demissões”, revelou. O protesto em frente à Fiesp vai exigir também a estabilidade, a manutenção dos direitos trabalhistas e a redução da jornada de trabalho, sem redução de salários para combater o desemprego.

A diretora do Sinserm, Eliana Martins, entende que a redução da jornada de trabalho para 36 horas poderia gerar a abertura de vagas nas empresas. Sindicatos de várias cidades do Interior paulista, como Campinas, São José dos Campos e Limeira também vão participar da manifestação. Bauru terá 14 representantes na manifestação.