Conhecer uma outra cultura, aprender um novo idioma, investir no currículo profissional e se divertir no Exterior. Em 2008, o número de jovens que deixou o Brasil em busca de cursos ou trabalhos temporários aumentou em comparação com 2007. De acordo com dados nacionais de uma empresa especializada no setor, o crescimento foi de 30%. Agora, agências de turismo cultural e escolas de idiomas que também oferecem o serviço ainda divergem sobre como a crise financeira mundial vai afetar o setor neste ano.
Natália Mondelli, proprietária de uma agência de turismo cultural instalada no Jardim Dona Sarah, em Bauru, destaca que a procura pelos produtos oferecidos pela empresa teve um aumento de 15% entre 2007 e 2008. Cursos de idiomas no Exterior foram um dos serviços mais procurados na agência.
“São cursos que não têm limite de idade. Oferecemos a oportunidade da pessoa aprender mandarim na China, ou fazer um curso de italiano simultaneamente a um de gastronomia na Itália”, ressalta. Esses produtos são visados por executivos que buscam aprimorar o idioma e acrescentar experiências ao currículo.
Para Mondelli, a crise deve afetar a procura por trabalho, como os produtos de au pair – destinados a jovens que trabalham cuidando de crianças - e o work travel - para trabalhos temporários, como salva-vidas, garçom. “Acredito que a oferta de vagas deverá se restringir”, pondera. Porém, ela avalia que a busca por outros serviços deve continuar. “Nosso produto principal é educação. Isso é investimento pessoal, bagagem cultural para a vida. E muitas famílias já se planejam para oferecer isso aos filhos”, observa.
Mesmo assim, ela acredita que haverá um impacto no setor. “Nos últimos anos, estávamos atingindo a classe C. Acho que neste ano, por conta da crise, teremos uma redução nesse segmento”, pondera.
Marco César Campagnucci, diretor proprietário de uma escola de idiomas, que também oferece o serviço, confirma aumento na procura. “Ano passado tivemos uma média de uma pessoa por mês fechando viagem”, destaca. A maioria ainda é de jovens que visam cursar algum ano do ensino médio no Exterior. Mas ele acredita que a crise deve frear justamente a procura desse produto.
Campagnucci avalia que os pacotes de au pair e work travel, pelo baixo investimento e a oportunidade de algum ganho financeiro, deverão ser mais requisitados. “O custo-benefício é muito grande. Principalmente para quem pretende trabalhar com idiomas no futuro. É uma boa oportunidade para conhecer os costumes, a cultura”, destaca.
Já Carlos Renato da Costa Marques, gerente de uma agência do Jardim América, está otimista. Ele acredita que o setor será pouco afetado pela crise financeira. “Entre 2007 e 2008 tivemos um período muito bom. O dólar ficou estagnado um bom tempo e incentivou o pessoal a viajar”, avalia.
E ele acredita que a boa fase vai continuar neste início de ano. “Muita gente já tinha se programado para investir num curso ou num intercâmbio. Temos muitos universitários que aproveitam as férias de verão para isso. Mas acredito que vamos ter um reflexo da crise no segundo semestre”, pondera. Porém, ele continua otimista. “Mas mesmo com crise, a pessoa lá fora percebe que compensa pagar o au pair”, avalia.