É divertido acompanhar as idas e vindas dos dissimuladores de sempre, aqui da província. Nos estertores do governo (?) levado a óbito no dia 31 de dezembro último, onde sistematicamente tentaram exaltar o “superávit” de R$ 23 milhões deixados em caixa, e agora, nas lamúrias oficiais, constata-se que o objetivo desses dissimuladores nada mais era do que apagar o índice de 88% de rejeição que a finada “administração” havia sido premiada ao lacrar o ataúde.
Devagar, devagarinho, a verdade vai sendo contada, a conta-gotas, é claro, da história que grande parte da dívida da “administração” (entre aspas mesmo) passada não foi paga e sim empurrada com a barriga para que caísse no colo da atual administração.
Embora o atual titular da cadeira número um das Cerejeiras tenha dito, durante a campanha eleitoral, possuir experiência suficiente para “desatar o nó de pingo d’água”, é chegada a hora de talento maior. A “administração” passada, com o apoio da imprensa na época, divulgava sistematicamente que iria deixar para a atual administração dinheiro em caixa e que tudo estava às mil maravilhas.
“Poderia, portanto, a população mais necessitada das carências sociais existentes na cidade exigir os melhoramentos físicos nos bairros, asfalto de ruas de terra, entre outros, bem como o fim das filas no pronto-socorro”. Falávamos, na época, que a atual administração estava recebendo “de presente” um orçamento recheado de pirita que os antigos patrícios lá das Gerais conheciam como sendo “ouro dos trouxas” e com ele faziam a alegria do baixo clero.
Hoje, estamos lendo, num dos periódicos local, o desabafo do atual secretário de Obras que num rasgo de sinceridade e mandando às favas os escrúpulos exigidos no início da atual administração, com críticas contundentes em relação aos esqueletos que aos poucos vão sendo exumados. Declarações como “falta de organização e planejamento”, a ausência de “medida de gestão em relação à frota disponível”, a “ausência de levantamentos da quantidade de maquinário que estejam em condições de uso”e que “além da falta de máquinas, a prefeitura não dispõe de grande recurso de mão-de-obra, problema que vem sobrepondo há muitos anos”.
O secretário Areco Neto, em 40 dias de administração, antevendo e prevenindo-se dos eventuais problemas que terá que administrar com a falta de praticamente tudo na gestão de sua pasta com a proximidade do período chuvoso, passa a trombetear suas dificuldades operacionais, salvaguardando-se, evidentemente, das cobranças que a mídia não deixará de fazer. Está correto seu modo de agir. A enganação tem e deve ser denunciada. Que seu gesto seja imitado por aqueles que têm responsabilidade “de governo” a fim de que os palpiteiros de plantão não fiquem jogando conversa fora.
Nicanor Amaro Silva Neto