Sentava-se ao meu lado na escola. O colégio era o Instituto de Educação Ernesto Monte. A década era a de 1950. O Jurandyr, já naquela época, destacava-se dos demais, pois era um aluno dedicado e inteligente. Na verdade, sinto-me privilegiado por ter, na época, tantos colegas que, posteriormente, se destacaram na vida comum.
Médicos, como Luiz Carlos Beting, Ari Silva, Olivio Costa Dias. Personalidades, como Flavio De Angelis, Jurandyr Bueno Filho e outros. Desculpem-me se esqueço alguns. Havia o Coubinho, da família Coube, não me recordo do seu pré-nome. Que saudade... Decidíamos “pirar da aula” (termo usado naquele tempo) e íamos ao aeroporto, o qual chamávamos de “campo da aviação”, e lá ficávamos vendo os pequenos aviões decolarem.
O Jurandyr, safava-se dessas escapadas, pois não queria perder as aulas. Depois, copiávamos as lições dele. Que tempo maravilhoso! Planejávamos o que queríamos ser no futuro. “Vou ser médico, vou ser engenheiro ou vou ser jornalista”... Todos sonhavam. Queríamos ser os donos do mundo.
Agora, depois de mais de 50 anos, concluo que, a seu modo, o Jurandyr o foi, pelo seu trabalho e competência, visto até internacionalmente. Era uma pessoa super-sensível. Admirava o crescimento de uma planta. Ficava feliz na primavera quando no colégio o jardim ficava todo florido. Sua sensibilidade era sem par. Sabia quando algum de nós não estava bem. Nós o admirávamos por isso, bem como os professores.
Meu Deus, os professores! Dona Prosperina, Dimas, Peixoto (o Peixotão), o Tiê que era de educação física. O diretor Edésio Del Santoro. Não poderia esquecer aqui o professor Gutemberg de Campos, “superdurão”, que não dava nota maior do que cinco (a avaliação naquele tempo era de 0 a 10). Tínhamos o professor de canto orfeônico e música... Não me lembro o nome. Ah, lembrei: professor Laureano. Como poderia me esquecer?
Mesmo acreditando na incomensurável sabedoria de Deus, fico aqui pensando por que Ele o levou tão cedo? Quantos projetos vão cair no esquecimento após sua partida? Como vereador, imaginem o quanto ele poderia fazer! Suas idéias nunca mais serão apreciadas. Uma perda irreparável.
Jurandyr, não vou dizer aqui: “Fique com Deus”, pois sei que Ele sempre esteve do seu lado, mesmo naquele tempo, 50 anos atrás. Você nunca sairá de nossos pensamentos e de nossas orações. Em outro plano, continuará a olhar pelos fracos e oprimidos como sempre fez aqui na Terra. Deus o abençoe, meu grande amigo. Ah, não poderia deixar de lembrar aqui do Murilo Martha Aielo, grande amigo, pessoa super-inteligente. Era o melhor aluno da classe.
Autorizo este jornal a oferecer meu telefone e endereço a todos os colegas mencionados. Que tal um jantar de confraternização para relembrarmos os velhos tempos? Pensem nisso...
Luis Carlos Pasquarelo