07 de julho de 2026
Internacional

Congresso dos EUA aprova texto do pacote


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Washington - No primeiro dia de negociações entre o Senado e a Câmara dos Representantes dos EUA sobre a versão final do pacote de estímulo à economia, líderes democratas anunciaram ontem um acordo para gastar US$ 789,5 bilhões contra a crise. A votação do texto, que será a maior ação fiscal antirrecessão de um governo na história moderna, poderá ser feita amanhã.

“Conseguimos passar por cima de nossas diferenças”, afirmou o líder da maioria no Senado, o democrata Harry Reid. “O que houve foi um toma-lá-dá-cá - e isso é um eufemismo.”

O principal componente do pacote é o investimento em infraestrutura, que deve chegar a US$ 150 bilhões para gastos em transporte, ambiente, expansão de linhas de internet banda larga e outros. O corte de impostos abocanha 35% do total.

Foram divulgados poucos detalhes do acordo, mas fontes próximas às discussões afirmaram à imprensa americana que a Casa Branca concordou em diminuir um recesso para impostos sobre folhas de pagamento e encolher iniciativas para prover seguro-saúde a trabalhadores demitidos.

Apesar do intenso lobby de governadores, foram eliminados US$ 35 bilhões de um fundo de estabilização fiscal para Estados e US$ 16 bilhões em ajuda para a construção de escolas. Em troca, foram restaurados US$ 9 bilhões para modernizar o sistema educacional, plano presente no texto da Câmara, mas não no do Senado. A proposta de senadores para dar restituição de impostos a quem comprar carros ou imóveis também deverá ser enxugada.

Legisladores não comentaram ontem, mas provisões protecionistas para privilegiar produtos americanos deverão ser mantidas, assim como o estímulo à contratação de americanos, em vez de estrangeiros.

O valor firmado é mais modesto do que as versões aprovadas originalmente tanto por deputados (US$ 819 bilhões) quanto pelo Senado (US$ 838 bilhões). Nesta Casa, a discussão chegou a alcançar US$ 930 bilhões. “Chegamos a um número fiscalmente responsável, que reflete nosso esforço para ter uma lei cujos programas, gastos e cortes de impostos realmente ajudem nossa economia”, disse a republicana moderada Susan Collins, que ao lado de dois colegas deverá permitir a passagem do texto no Senado. Na Câmara, os democratas têm maioria folgada.

Insatisfação bipartidária

Apesar de certa celebração, as críticas começaram a chegar logo após o anúncio do acordo. “A lei fede”, disse o senador republicano Lindsay Graham. “Era melhor não ter nada.” “Os americanos estão tentando entender como vão pagar por isso”, disse o líder republicano no Senado, Mitch McConnell.

Além disso, economistas alertaram que seria preciso esticar muito a lei para que o presidente Barack Obama consiga salvar os quatro milhões de empregos que gostaria.

construção de escolas e elevar a ajuda para os Estados - no pacote aprovado ontem, essa ajuda estava em US$ 39 bilhões. Já os cortes de impostos prometidos pelo presidente americano, Barack Obama, de US$ 500 para indivíduos e de US$ 1.000 para casais, seria reduzido para US$ 400 e US$ 800 respectivamente.

O presidente da Comissão de Finanças do Senado, o democrata Max Baucus, disse que a proposta de um desconto de US$ 15 mil na compra de um imóvel (que viria de uma provisão de US$ 35,5 bilhões), aprovada na semana passada no Senado, pode ser cortada do pacote, e o desconto de impostos sobre a compra de carros - outra proposta dos senadores - pode ser reduzido.

Segundo a senadora republicana Susan Collins, que representa o estado de Maine, o plano vai colocar os americanos de volta para trabalhar, mas de uma maneira fiscalmente responsável. Para ela, a nova versão reduz os gastos previstos inicialmente pela câmara, mas é mais eficiente em termos de geração de empregos que a legislação aprovada no Senado. Segundo ela, 65% do valor do pacote são gastos do governo e 35% são créditos fiscais.