08 de julho de 2026
Polícia

Polícia desmonta refino de drogas

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

A Polícia Civil de Bauru desarticulou a maior quadrilha de traficantes de Bauru na tarde de ontem. Depois de 40 dias de investigação, os policiais desmancharam um laboratório utilizado para o refino e manipulação de drogas na cidade. No local, um apartamento em um residencial no Jardim Olímpico, foram encontrados mais de 170 quilos de entorpecentes, explosivos, coletes à prova de balas, uma escopeta calibre 12 com mira a laser e equipamentos e produtos químicos para a elaboração de drogas. Seis pessoas foram presas em flagrante.

Além da droga, os policiais recuperaram uma carga de medicamentos roubada, avaliada em R$ 30 mil (veja abaixo). A operação da equipe da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) teve início às 15h de ontem. O primeiro local vistoriado foi uma residência no Jardim Tangarás.

De acordo com o delegado Francisco Bromati Filho, titular da unidade especializada, moravam na casa Rafaela Martins, 25 anos, e Suelem Floriano, 24 anos. Também estavam no local, João Vítor de Souza Urias, 24 anos – apontado pela polícia como sendo “o cabeça” do grupo e um dos principais distribuidores de drogas da cidade -, Fernando Henrique Graciano, 23 anos, e Herod Omitre Miedes, 19 anos. Enquanto a equipe da Dise estava no local, chegou Eder Fábio de Lima, também acusado de envolvimento com o tráfico de drogas. De acordo com o delegado, ele teria aparecido para comprar a maconha que estava com o grupo.

Com um deles, foi encontrada a chave de um apartamento de um residencial localizado na quadra 3 da rua soldado Alexandrino Rodrigues na Vila Nova Esperança. Os policiais foram até o endereço, onde descobriram uma verdadeira central para manipulação e distribuição de drogas. “Os moradores ficaram apreensivos com a presença da polícia, mas desconheciam a existência do laboratório”, conta Bromati.

Foi solicitado apoio da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e do Grupo Armado de Repressão a roubos e Assaltos (Garra). No local, os policiais encontraram dezenas de tijolos de maconha guardados em uma geladeira. Em um armário, sacos de cocaína, crack, pasta base de cocaína e sacos de pó branco que provavelmente seriam misturados à droga.

Na cozinha, havia pacotes de bicarbonato, um vidro de éter, oito frascos de líquido para identificar a pureza do entorpecente e dois tambores onde seriam misturadas as drogas.

Duas balanças de precisão e uma faca de cozinha também foram apreendidas. Em duas sacolas de viagem, no chão, estavam cerca de 30 “bananas” de explosivos, somando aproximadamente 40 quilos. Os cilindros são parecidos com os explosivos encontrados pela Polícia Civil em Iacanga, no mês passado, furtados de uma pedreira.

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Quadrilha

No apartamento no Jardim Olímpio também foram localizados 5 coletes à prova de balas e uma escopeta calibre 12 com mira a laser e munições para esta arma e para pistola ponto 40, que não foi encontrada no apartamento. Na mesma operação, os policiais apreenderam um Fiat Tempra, uma pick up Ford Ranger e quatro motocicletas.

Todo o material apreendido foi levado à Dise. A perita em drogas do Instituto de Criminalística da Polícia Científica de Bauru, Mônica Camargo foi até o local para analisar os produtos apreendidos. A expectativa dos policiais é enviar a droga para incineração ainda hoje. Bromati informa que, ao todo, foram encontrados 150 quilos de maconha em tijolos e pedaços, 19 quilos de cocaína e dois quilos de crack. De acordo com os policiais, o quilo da cocaína seria comercializado a R$ 15 mil, já a maconha, a R$ 450,00.

“Com certeza, é uma das principais quadrilhas que atuavam na cidade. Eles eram responsáveis por um intenso tráfico de drogas em Bauru e região”, destaca Bromati. De acordo com o delegado, Urias seria o responsável pelo laboratório e pela distribuição do entorpecente. “Ele era um megadistribuidor. Recebia e repassava”, conta. Há suspeita de envolvimento com o crime organizado, mas o titular da Dise não acredita que haja ligação com facções criminosas.

A unidade especializada investigará a procedência da droga e também a origem dos explosivos. Os seis envolvidos foram presos em flagrante por tráfico – com pena de 5 a 15 anos de reclusão - e associação para o tráfico, crime com pena de 3 a 10 anos de prisão.