08 de julho de 2026
Polícia

Ladrão devolve cachorrinha furtada à dona

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 2 min

O improvável ocorreu. A cachorra poodle micro toy Hálicy, levada durante um furto a uma casa do Jardim Panorama, em Bauru, no final de semana, foi devolvida anteontem pelo próprio ladrão. Ao ler a notícia no JC, na terça-feira, de que a família estava arrasada por ter ficado sem o bicho de estimação, o assaltante resolveu entregá-lo.

Quando Felipe Gimenez, 20 anos, atendeu a um telefonema anteontem à tarde, achou que fosse mais uma pessoa das tantas que se sensibilizaram com o ocorrido para dar informações de alguma cachorra parecida com Hálicy. No entanto, Felipe logo percebeu que não era apenas mais uma ligação. “Ele quase falou o nome dele. Quando ia falar, parou. E disse: ‘Fui eu quem roubou sua casa’”, para a surpresa de Felipe.

O homem, do outro lado da linha, resolveu explicar sua motivação para o crime, iniciando com um pedido de desculpas e arrematando com a justificativa de que não teve a mesma chance que a vida proporcionou à família Gimenez. “Falei que não precisava levar a cachorra. E ele disse que queria devolvê-la”, acrescenta.

O ladrão planejou como devolveria o animal. Combinou que deixaria a poodle numa casa abandonada, ao lado da residência de Felipe. A atitude confirma que o ladrão fez uma análise da vizinhança antes de agir na tarde de domingo. Ao ser questionado se o animal não fugiria, o ladrão disse que a poodle não passaria pela grade. Após o acordo, Hálicy foi deixada no imóvel.

Felipe ainda tentou localizar o assaltante. Mas conseguiu apenas descobrir que a ligação partiu de um orelhão distante nove quadras de sua casa. “Fui até o orelhão, mas não consegui pegã-lo”, lamenta. Para o dono da casa furtada, o ladrão resolveu devolver o animal com medo de ser denunciado devido à grande repercussão do furto - a foto de Hálicy foi estampada nas páginas do JC e emissoras de rádio anunciaram o furto da cachorra.

Por enquanto, a família só recuperou o animal de estimação, mais ligado a Rosangela Gimenez, mãe de Felipe. No dia em que a família foi surpreendida com o furto, ela conta que o desespero bateu mesmo quando percebeu que a cachorrinha havia sido levada. Diferente do que ocorre a cada vez que volta para sua casa, naquela tarde Hálicy não correu em sua direção para recepcioná-la. “Às coisas materiais, a gente recupera. Mas a cachorra é como se fosse uma criança. Na terça-feira à noite achei que tinham matado ela. A gente não sabe o que passa na cabeça da pessoa”, relembra.

Na limpa à casa, que incluiu a poodle de 3 anos, foram levados duas câmeras filmadoras, dois laptops, um celular, seis relógios de pulso, jóias, um aparelho GPS, um talão de cheques, um cartão bancário, documentos e roupas de bebê. O ladrão aproveitou que a família não estava em casa, abriu o portão de ferro e arrombou a porta.