09 de julho de 2026
Bairros

Chuva deixa Guadalajara quase ilhado

Por Juliana Franco | Com Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Bauru parou na tarde de ontem apesar de a chuva ter durado pouco mais de meia hora. Mesmo assim a tromba d’água foi suficiente para deixar o trânsito caótico, alagar várias ruas e avenidas, como a Nações Unidas. Casas, estabelecimentos comerciais e até uma escola, no Jardim Chapadão, foram invadidas pela forte enxurrada. Na rua 1.º de Agosto, a marquise de um prédio foi interditada. O problema mais grave foi na rua Walter Vidrich, um dos dois únicos acessos ao Jardim Guadalajara.

O asfalto cedeu e abriu um buraco de mais de quatro metros de profundidade, além de danos nas tubulações. Devido à fenda aberta a rua Walter Vidrich, alça de acesso à rua Marcondes Salgado, precisou de ser interditada. Com isso, os 430 moradores do Jardim Guadalajara tiveram apenas uma opção para chegar e sair do bairro: pela rua Manoel Duque, acessada pela avenida Rodrigues Alves.

Quem estava na rua, de carro ou a pé, também sofreu com a chuva. Os pedestres tentavam se proteger nos pontos de ônibus, que ficaram lotados. Os motoristas, estressados tentavam manobras nos trechos alagadiços e enfrentavam a enxurrada entrar nos veículos. A Defesa Civil informou que ninguém ficou ferido nem desabrigado, apesar da força do temporal.

Ontem, até às 21h, havia chovido 13 milímetros em Bauru, segundo o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Ou seja, foi uma típica chuva de verão: forte e rápida.

O pátio e algumas salas da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Alzira Cardoso, no Jardim Chapadão, foram invadidos pela enxurrada. A diretora da instituição, Marimiriam Dias Esqueda, contou que o problema é freqüente quando chove. “Nos quatro anos que estou aqui, o pátio já alagou umas três vezes”, afirma. “Falta de manutenção acho que não foi, pois em janeiro a prefeitura fez a limpeza dos dois bueiros que ficam na rua da escola”, acrescenta.

A reunião de pais, que seria ontem à tarde, foi adiada por causa da inundação. Alguns pais levaram seus filhos embora, mas os alunos que permaneceram na instituição assistiram à aula normalmente nas salas que não foram atingidas pela enxurrada.

As quadras 18 e 19 da avenida Nuno de Assis ficaram alagadas, situação semelhante à de alguns pontos da avenida Nações Unidas e das ruas Júlio Prestes e Inconfidência, interditados por causa no volume forte da água pluvial. Na quadra 7 da rua 1º de Agosto, uma marquise foi interditada, apesar de não oferecer risco de desabar. “É mais por precaução. A marquise está soltando tinta e reboco, mas não constatei o risco de desabamento. Como medida de segurança, a proprietária da loja, que alugou o imóvel, vai ter que procurar o dono do prédio para fazer a manutenção no local”, explicou o engenheiro da prefeitura Ricardo Thadeu Vaz Pinto Coelho.

A região do Distrito Industrial 1 também foi atingida. Na quadra 6 da rua Joaquim Marques de Figueiredo, um estabelecimento foi atingido pela enxurrada. Comerciantes do local apontam que, desde o início de recapeamento de ruas da região, começou a água da chuva a invadir os imóveis. “Desde o início das obras, quando começa a chover, a água vem com muita força para cá e invade as lojas”, afirma uma comerciante que não se identificou.

Na quadra 3 da rua Irma Aminda, no Jardim Brasil, o asfalto cedeu onde um Fusca estava estacionado. As rodas traseiras do veículo ficaram no buraco. O proprietário do veículo, que não quis se identificar, contou que recentemente foram tapados buracos da rua, mas ontem não resistiu à chuva e cedeu, abrindo buraco novamente.

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Avaliação

A chuva de ontem atingiu toda a cidade de maneira uniforme, segundo Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil em Bauru. Os bairros com ruas de terra mais uma vez foram bastante prejudicados. O Santa Fé, Parque Jaraguá, Santa Cândida, Parque Viaduto, Parque Paulista e Jardim Silvestre foram alguns dos mais castigados.

“As ruas ficaram intransitáveis e, certamente, vai ter problemas para os ônibus (trafegarem), porque terão que mudar o itinerário. Alguns já não passavam, depois da chuva, a situação ficou ainda pior”, afirma Brito.

Segundo ele, alguns moradores do Parque Paulista foram desalojados momentaneamente devido às enxurradas, mas eles retornaram às suas casas no final da tarde. A zona rural também foi atingida danificando algumas estradas vicinais.

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Obras dependem do tempo

Após as chuvas de ontem, a Secretaria Municipal de Obras informou que os principais estragos ocorreram no Parque Paulista, onde galerias entupiram, provocou alagamento da pista da rodovia próximo ao Distrito Industrial 1 e na rua Walter Widrich, acesso ao Jardim Guadalajara. No local, galerias romperam e o asfalto cedeu, onde abriu um enorme buraco.

A rua Walter Widrich foi interditada e não há prazo para liberação para o trânsito de veículos. A Secretaria de Obras informou que, após análise da situação, serão feitos a os reparos, mas depende das condições climáticas dos próximos dias, ou seja, o tempo firme. Hoje, as equipes da Secretaria devem percorrer as demais regiões da cidade, a fim de detectar os pontos com necessidades de serviço de reparos.