Marília - O Núcleo de Vigilância em Saúde de Marília (100 quilômetros de Bauru) conseguiu em seis anos adotar um sistema de acompanhamento das pacientes portadoras de Aids que evitou a transmissão da doença de mãe para filho, a chamada transmissão vertical. Sem o acompanhamento, a contaminação ao recém-nascido poderia chegar a 30%.
A coordenadora do serviço, Helena Schwitzky, admite que para chegar ao resultados foi tarefa bastante árdua, porque muitas mães interrompem o tratamento e não comparecem para consultas. Os profissionais da saúde precisam ir atrás dessas mulheres para levar os medicamentos, que não são retirados nas unidades de saúde. “Não parar o tratamento é muito importante para que, na hora do parto, a saúde das mães e dos bebês estejam em boas condições”, explica Helena. O serviço DST-Aids e Hepatites foi municipalizado em 2003, subordinado à Secretaria Municipal de Saúde.
A equipe de agente da saúde faz visitas domiciliares para entregar os medicamentos controlados, mas há o acompanhamento médico e psicológico às portadoras do vírus HIV, causador da Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (Aids).
Segundo a enfermeira do Núcleo, o tratamento completo e sem interrupções das gestantes portadoras do vírus da Aids reduz a 1% o risco de transmissão para os bebês, mas em seis anos em Marília não houve contaminação. Sem o acompanhamento médico, o risco de o filho contrair o vírus da mãe sobe a 30%.
O programa Nascer Maternidades, implantado em 2002 pelo Ministério da Saúde, estabeleceu diretrizes para o acompanhamento e os cuidados específicos para gestantes portadoras do vírus da Aids. Durante toda a gestação, a paciente recebe medicamentos e tem monitoramento da sua carga viral, antes de ser definido a via de parto.
A coordenadora do serviço explica que a cesárea é escolhida quando a carga viral da gestante está muito elevada. O bebê não pode ser amamentado pela mãe. Ele recebe um leite especial e, até completar seis semanas de vida, é medicado com AZT, um dos mais eficientes remédios usados no combate ao vírus da Aids. “No caso das mulheres que não tenham feito o pré-natal, são aplicados testes rápidos para identificar Aids e Sífilis, no momento do parto”, acrescenta.
Nos últimos seis anos, foram atendidas 59 gestantes portadoras do HIV em Marília. Todas foram acompanhadas e medicadas, não ocorrendo transmissão vertical ao recém-nascido.
• Serviço
O Núcleo de Vigilância em Saúde fica na rua Francisco Busto Martins nº206 no bairro Costa e Silva. Mais informações pelos telefones (14) 3451-2939 e (14) 3417-3826.