Mesmo amargando perdas em virtude da crise econômica mundial, o nível de emprego industrial na região de Bauru apresentou resultado positivo nos últimos doze meses. As empresas dos 17 municípios abrangidos pela diretoria regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) criaram, de janeiro de 2008 a janeiro de 2009, aproximadamente 1,8 mil novos postos de trabalho, levando-se em consideração o volume de contratações e demissões no período. A variação positiva de Bauru, de 3,54%, constam da pesquisa elaborada em conjunto pelo Ciesp e pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Das 36 diretorias analisadas no levantamento, a região ficou atrás apenas de São Caetano do Sul (3,92%); Sertãozinho (3,74%) e Santa Bárbara D’Oeste (3,69%), demonstrando que, apesar da crise, os bons resultados obtidos no ano passado ainda foram suficientes para sustentar a região com índices de empregabilidade positivos. Bauru é a quarta melhor em emprego no Estado porque, em um cenário de crise, a diversidade do nosso parque industrial ajuda muito”, salienta o diretor regional do Ciesp em Bauru, Domingos Malandrino.
Para se ter uma idéia, a região ficou muito à frente de diretorias de mesmo porte como, por exemplo, Piracicaba (24ª colocada, com - 3,8% de empregos) e Franca (26ª colocada, com variação de - 17,8%), que dependem, respectivamente, do desempenho da produção sucroalcoleira e de calçados.
Já na comparação com o mês de dezembro, no entanto, o nível de emprego industrial em janeiro apresentou resultado negativo na região (variação de - 0,67%), o que implicou em uma redução de aproximadamente 200 postos de trabalho neste mês. De acordo com o levantamento, o resultado foi influenciado, principalmente, pelas demissões dos setores de máquinas e equipamentos, que sofreu uma variação de -8,62% em razão da efetivação de grande parte dos desligamentos que atingiram a empresa Volvo.
Reflexos
Na região, o resultado também reflete o aumento do desemprego no setor de veículos automotores (variação de -2%). O índice só não foi pior devido à a variação positiva de 3,43% no setor de produtos de madeira.
Para Malandrino, os números se referem a perdas provocadas pela crise financeira internacional, que também está afetando a conjuntura econômica do Brasil. No entanto, ele acredita que algumas providências internas, como os pacotes de subsídios lançados pelo governo federal nos últimos meses, poderão minimizar os efeitos da turbulência.
“Essas medidas são importantíssimas para continuar irrigando a economia. Há ramos, como o de alimentos, que ainda não foram afetados. Espero que o setor resista por mais um tempo porque, se o nível de desemprego continuar a crescer, os problemas serão bem maiores”, avalia.
Para os próximos meses, o diretor regional afirma que o comportamento do emprego no setor não deverá trazer grandes surpresas. “Vamos ficar oscilando entre baixos índices negativos ou positivos, mais ou menos no mesmo patamar de janeiro. Acredito que a recuperação só deve acontecer a partir de 2010”, pondera.
A pesquisa do Ciesp/Fiesp analisou aproximadamente 3 mil indústrias distribuídas no Estado de São Paulo, que empregam cerca de 1,1 milhão de trabalhadores. De acordo com o levantamento, a Capital teve variação negativa de 1,58% no total de empregados, de dezembro a janeiro deste ano. No Estado de São Paulo, a redução foi de 1,34%.