08 de julho de 2026
Saúde

‘Doença do beijo’ aumenta após Carnaval

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Amor de Carnaval, como diz a sabedoria popular, pode não deixar marcas emocionais profundas, mas as marcas físicas, alertam os especialistas, podem se fazer sentir com grande intensidade. Isso porque, durante a festa, são comuns comportamentos que colocam a saúde em risco, alerta a Associação Brasileira de Odontologia (ABO).

A recomendação se baseia na informação de que cerca de 2 bilhões de bactérias habitam uma única gota de saliva. Além delas, um vírus, o Epstein-Barr, que causa a mononucleose infecciosa, precisa apenas do contato direto da mucosa com a saliva contaminada para ser transmitido – nada que um bom “beijo de língua” não resolva.

“Não é à toa que a mononucleose infecciosa é conhecida como a doença do beijo”, lembra a estomatologista Maria Carméli Sampaio, consultora da ABO, que diz que o aumento da incidência da doença após o Carnaval é notório nas clínicas de infectologia e nos consultórios odontológicos.

A doença do beijo é caracterizada por mal-estar, febre, dor de cabeça e de garganta, aumento de gânglios, ínguas no pescoço e inflamação leve e transitória do fígado (hepatite). Para evitar todos esses problemas, Sampaio sugere uma vida sem excessos. “Como se trata de um vírus, é importante que o indivíduo não tenha baixa resistência imunológica, alimente-se e durma bem, consuma complementos vitamínicos e outros”, destaca a estomatologista.

Segundo a especialista, o mesmo vale para outras doenças que podem ser transmitidas pelo beijo, como tuberculose, hepatite e sífilis. “Uma higienização oral freqüente ajuda a evitar outros problemas, como a transmissão de cárie, que também se aproveita da troca de salivas”, completa.

Se o beijo pode ser uma via de transmissão de doenças, o sexo oral, por envolver contatos mais íntimos entre os organismos envolvidos, é uma via expressa. O cirurgião-dentista é capacitado para diagnosticar Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) na cavidade bucal, prestando os primeiros esclarecimentos e encaminhando o paciente ao tratamento adequado.

Segundo Maria Carméli Sampaio, uma das DSTs de maior incidência após o Carnaval é o condiloma acuminado, conhecido como crista de galo, lesão na esfera genital causada pelo Papilomavirus Humano (HPV). “É importante que o sexo oral também seja praticado com camisinha, porque os riscos de contágio dessa doença são grandes”, aconselha a especialista.

Outras doenças que podem ser mais facilmente transmitidas por via oral são a gonorréia, caracterizada por vermelhão, ardência e prurido na mucosa, e a sífilis, ferida indolor no lábio ou língua.

Além dos cuidados antes – selecionando bem o parceiro – e durante – usando preservativo –, é importante não descuidar depois. A visita regular ao cirurgião-dentista pode ser decisiva por facilitar o diagnóstico precoce de diversas doenças relacionadas à cavidade bucal.

Álcool e drogas

O abuso de álcool e outras drogas também se reflete na boca. “A mucosa bucal é uma ótima via de aplicação de medicamentos. Muitos deles são colocados sob a língua. O mesmo vale para o álcool, que causa descamação mais intensa da mucosa. O risco de queimaduras é grande”, alerta a estomatologista Maria Carméli Sampaio.

Ainda segundo a consultora da ABO, o efeito solubilizante do álcool aumenta a permeabilidade das células da mucosa aos agentes carcinogênicos.

O consumo de outras drogas pode ser igualmente prejudicial. As inalantes (lança-perfume, éter, clorofórmio), bastante populares no Carnaval, além de perda de consciência e morte por parada cardíaca ou respiratória, podem causar queimaduras na boca, sensibilidade dentinária e maior probabilidade de problema periodontal.

Outra grande campeã de público no Carnaval é a cocaína, especialmente entre os jovens. Em pesquisa realizada pelo Hospital das Clínicas em São Paulo com pacientes adolescentes internos, a cocaína, que provoca sensação de dinamismo e potência, é a segunda droga mais consumida, perdendo apenas para a maconha.

“Além de todos os outros problemas mais conhecidos, o uso da cocaína pode causar erosão nos colos cervicais dos dentes, maior formação de cálculo, ressecamento da mucosa da cavidade bucal e maior incidência de descamação gengival”, especifica Sampaio.