09 de julho de 2026
Cultura

Esquentando as baterias

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 4 min

A uma semana do Carnaval, escolas de samba e blocos carnavalescos se organizam a todo vapor para colorir a avenida Nações Unidas, no domingo de Carnaval. Na última quarta-feira, a reportagem do JC Cultura percorreu alguns bairros e acompanhou os ensaios das agremiações.

No Jardim Ouro Verde, as noites de ensaio, no centro comunitário do bairro, são o programa preferido para quem pretende cair na folia. Além dos integrantes da bateria, que se preparam desde o fim de janeiro para o Carnaval, crianças e adultos são atraídos às reuniões pelo som dos tamborins. “A comunidade está bastante animada e os ensaios são uma maneira de envolver e empolgar os moradores”, considera Gilberto Cabral de Melo, responsável pelo bloco Ouro Verde 100% Arte.

Para a auxiliar de limpeza Ana Lúcia Moreira de Souza, além da diversão, a presença dos moradores prestigia o grupo. “A criançada gosta e a animação já começa nos ensaios. Mas, além disso, a gente vem para incentivá-los”, conta.

Para levantar o público na Nações Unidas, o bloco está preparando uma boa dose de ritmos brasileiros. “Vamos fazer uma grande mistura. Vamos do Olodum ao boi-bumbá e passaremos pela Timbalada até chegar no samba”, adianta Melo. A expectativa é que mais de 100 pessoas integrem o grupo, que conquistou o terceiro lugar no desfile do ano passado.

Além da bateria, o Ouro Verde levará para a avenida seus quatro bonecões de Olinda. A exemplo do que fizeram no ano passado, um dos bonecos representará a campanha do Ministério da Saúde de combate à aids no Carnaval. “Vamos levar um bonecão representando as mulheres acima dos 50 anos, alvo da campanha de 2009, distribuindo preservativos”, conta. O bloco contará ainda com a ala “Arco-Íris”, formada por representantes do segmento GLBT. “Em 2008, já tínhamos transformistas como nossos destaques. Neste ano, conseguimos ampliar e montar uma ala inteira contra o preconceito”, completa.

Formado no ano passado, o bloco é uma extensão do projeto homônimo desenvolvido no bairro, em que são oferecidas aulas de percussão, teoria musical, malabares, entre outras atividades para crianças e adultos. “Até o convite de participar no ano passado, não tínhamos nenhuma intenção de nos envolver com o Carnaval. Agora, o nosso objetivo, enquanto bloco, é crescer e virar uma escola de samba”, espera.

Contando os dias para a folia estão também os integrantes do bloco Unidos do Jardim Petrópolis, que pretende levar 150 componentes para a Nações. “Camisetas, fantasias, o som da bateria e muita animação não irão faltar”, promete Gilson Carlos do Nascimento, presidente do grupo.

Além do Ouro Verde e Unidos do Jardim Petrópolis, outros cinco blocos percorrerão a avenida: Sementes do Azulão, Acadêmicos de Tibiriçá - Guerreiros do Samba, ONG Periferia Legal, Estrela do Samba (Tibiriça) e Folia Circence.

Folia no Jaraguá

Mesmo sob chuva, na rua ou espremidos na garagem de ‘dona’ Cidinha, os integrantes da escola de samba Azulão do Morro, do Parque Jaraguá, também correm contra o tempo para promover seu desfile na Nações Unidas.

Além do bloco Sementes do Azulão, a agremiação pretende levar a escola para a avenida, ao som do samba-enredo “Santuário das Aves”. “Serão 200 integrantes, entre ritmistas, alas, mestre-sala e porta-bandeira e um carro alegórico para falar sobre as aves em extinção”, conta Cleide Maria Neres Caleda, presidente da escola.

Muito animados, moradores acompanhavam o ensaio da bateria. “Carnaval não é só samba, é muita cultura. Precisamos valorizar”, convida Valdomiro Fonseca, presidente das associação de moradores do bairro. A pequena Alice Kelly Teixeira, 10 anos, também foi atração no ensaio, divertindo-se com seu estandarte, ao lado dos outros casais de mestre-sala e porta-bandeira. “As crianças são justamente a saída para não deixar a escola morrer. E elas gostam demais”, considera Cleide.

Juntamente aos ensaios, é também na casa de Aparecida Brito Caleda, a Cidinha - uma das fundadoras da Azulão do Morro - que todas as fantasias, adereços e instrumentos ficam armazenados. Fora do horário de trabalho, é para lá que os moradores vão para deixar tudo em ordem para o desfile. “O tempo que eu tenho, eu ajudo, principalmente com as fantasias. Precisamos nos unir e gostar, senão a coisa não sai”, conta Isabel Cristina Guilherme.