09 de julho de 2026
Cultura

Palavra de ordem é reaproveitar

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 3 min

Com pouco tempo e parcos recursos, blocos e escolas dependem do amor ao Carnaval e dedicação das comunidades

Muita criatividade e o dobro de disposição. A uma semana do desfile, blocos e escolas de samba tentam superar a verba e o tempo reduzidos para finalizar os preparativos da sua passagem pela avenida Nações Unidas, no domingo de Carnaval.

Em reunião com a Secretaria Municipal de Cultura (SMC), realizada na última quinta-feira, ficou decidido que o montante de R$ 7 mil - provenientes da iniciativa privada - fosse dividido entre os grupos que participarão do Carnaval. Para os blocos, será destinada a quantia de R$ 3 mil; o restante vai para as escolas.

Segundo o secretário municipal de Cultura, Pedro Romualdo de Oliveira, o dinheiro chega aos representantes das agremiações amanhã. “A prefeitura arcará com toda a questão de infra-estrutura e logística do evento e para a ajuda de custo às escolas, corremos atrás dos investimentos privados”, explica.

Para a dona de casa Tatiana Cabral de Melo, trabalho é o que não vai faltar durante toda a semana. Responsável pelos abadás do bloco Ouro Verde 100% Arte, ela aguarda apenas a chegada do dinheiro para dar início a produção das camisetas para este ano. “Acaba sendo sempre uma correria, mas a festa é importante para a comunidade e no final, acaba todo mundo se ajudando e dando tudo certo”, espera animada.

Abusar da criatividade e reaproveitar os materiais também são ordens na hora de driblar o tempo e a falta de recursos. Nada como uma boa mão de tinta, um brilho, um detalhe ou adereços novos para fazer a diferença. “Aproveitamos tudo o que dá para ser aproveitado e reaproveitamos o que já temos, sem deixar de dar aquela cara nova”, conta Fábio Aparecido de Souza, o artista do bloco.

“Todos os anos, independente de ter o Carnaval oficial ou não, sempre saímos no bairro. Então, estamos, todos os anos, aproveitando e o usando o material que temos guardado”, explica Cleide Maria Neres Caleda, presidente da escola Azulão do Morro, do Parque Jaraguá.

Para ela, além da criatividade, outro ingrediente é a principal motivação para o Carnaval acontecer. “Tem que ter muito amor pelo que estamos fazendo e sermos muito unidos. Somos uma grande família e nosso principal fundamento é, justamente, dar diversão para essa família. Além, é claro, dos projetos sociais que a escola desenvolve na comunidade, que são também a fonte do nosso estímulo”, completa.

‘Eu Quero Carnaval’

Na última reunião entre a Secretaria Municipal de Cultura e os carnavalescos, também ficou acertada a constituição de uma comissão que vai organizar o Carnaval de 2010. Formada por sete componentes - três representantes de blocos, três de escolas e um da SMC - a comissão visa a organização prévia do próximo Carnaval.

De acordo com a secretaria, a proposta é buscar parcerias junto à iniciativa privada e demais órgãos constituídos, além de promover eventos próprios a serem desencadeados pelas escolas de samba e blocos bauruenses.

“Bauru tem condições de fazer um Carnaval maior e vai depender muito dessa organização. Com a comissão formada, será mais ordenada a busca de recursos que viabilize a realização da festa”, considera o secretário, Pedro Romualdo de Oliveira. O projeto inclui também a procura de recursos para a reforma das instalações do Sambódromo Municipal.

Escolhido para mostrar a disposição de todos em resgatar a festa popular em Bauru, o tema “Eu Quero Carnaval!” define bem o espírito com que as escolas e blocos estão encarando o desfile na Nações Unidas. “O que desejamos mesmo é voltar a ver nossas alegorias disputando no Sambódromo. Espero que estejamos plantando uma sementinha para que os verdadeiros carnavais de rua voltem a ser realizados em Bauru”, sintetiza Cleide Maria Neves Caleda, presidente da escola de samba Azulão do Morro.

A realização do Carnaval conta com o patrocínio do Jornal da Cidade, 96 FM, Bebidas Fernandes, Beneplan, Buffet Mantovani e Supermercados Confiança.