De acordo com os projetos que já existem na Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), as barragens principais seriam instaladas em três pontos críticos, que sempre alagam e trazem grandes transtornos aos moradores de Bauru. Além delas, outras menores também estão projetadas e fazem parte, inclusive, do Plano Diretor do município.
Os pontos críticos apontados pelo secretário de Planejamento, Rodrigo Riad Said, e pelo arquiteto Adelmo Bertussi, são o trecho do córrego Água da Ressaca, entre os residenciais Estoril 5 e Tívoli; o trecho do córrego Água do Sobrado, entre a Vila Ipiranga e o Jardim Jussara; e um outro trecho do córrego Água da Ressaca, próximo à avenida Alfredo Maia.
O custo estimado de cada uma dessas barragens gira em torno de R$ 5 milhões (com o piscinão do Vitória Régia) ou R$ 9 milhões (sem o piscinão). As represas menores estão projetadas para o córrego da Grama, entre a Vila Pacífico é o Parque Santa Edwirges; no córrrego Água do Castelo, próximo ao Jardim Godoy; e no córrego Água Comprida, próximo ao Sambódromo, entre outros.
De acordo com o secretário, para que esses projetos sejam executados será preciso recursos a fundo perdido, cuja contrapartida do município é de 30%. Segundo ele, a prefeitura não tem como bancar obras dessa dimensão com recursos próprios nem tomar dinheiro emprestado porque ainda tem dívidas para pagar. Por isso, está atrás de recursos estaduais e federais para conseguir pôr em prática esses projetos, que estão há anos engavetados enquanto a cidade sofre verão após verão com as enchentes.
Escadaria
Nos córregos, o arquiteto Emerson Crivelli defende a implantação de escadarias com o propósito de diminuir a velocidade da água. Segundo o arquiteto, cada vez que a água tem uma queda vertical, sua velocidade cai a zero. De acordo com ele, os fundos de vale da cidade ainda estão preservados em sua maioria, mas é preciso agir rápido para evitar a formação de favelas nesses locais, o que já estaria acontecendo e pode representar um sério risco aos invasores.
Crivelli comenta que, graças à pressão da prefeitura, os novos empreendimentos imobiliários estão sendo concebidos com a preocupação de captar a água da chuva. Embora haja a impermeabilização de uma nova área, o sistema de captação de água pluvial impede que haja um agravamento do quadro de enchentes.
Segundo ele, a mesma preocupação tem de haver também por parte do poder público quando decide asfaltar os bairros que ainda têm suas ruas de terra. Antes de impermeabilizar o bairro é preciso construir as galerias de águas pluviais.