Assim como aconteceu em todo território paulista, as 50 escolas estaduais de Bauru receberam da Secretaria de Estado da Educação R$ 7 mil cada uma para investirem na revitalização do prédio. Muitas delas foram pintadas para o início do ano letivo. Em outras, apenas a limpeza, a jardinagem e os pequenos reparos já mudaram a “cara” da instituição. A reportagem visitou oito delas dois dias antes do início das aulas.
Cinco passariam com folga se a prova avaliasse apenas o espaço físico que, para a Apeoesp, é muito importante, mas não determinante para o desempenho do aluno. Dentre as visitadas, a principal exceção no quesito aparência é a escola estadual Ernesto Monte, cujo prédio já suntuoso um dia acolheu a elite bauruense. As pichações e as depredações, como vidros quebrados, assustam quem não está acostumado com elas.
O problema, no entanto, é antigo e nem por isso derrubou o desempenho dos alunos no Saresp, por exemplo. A média de todas as séries em 2007 ficou acima do Estado, da Diretoria de Ensino e do município nas séries avaliadas, tanto em português, quanto em matemática. Além disso, a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Educação informa que a escola consta no plano de reformas, assim como a Ayrton Busch, também conhecida pelos casos de indisciplina.
Segundo os alunos, pichação é o que não faltam nas paredes internas à instituição, mas ressaltam que o desempenho escolar também depende deles e de seus professores. Todos admitem o quanto é bom estudar numa escola bonita. Em algumas visitadas pelo jornal, nem a jardinagem foi deixada de lado. Outras ainda estavam em reforma às vésperas da volta às aulas. É o caso da Professora Ana Rosa Zucker D’Anunziata. Por conta das obras, na semana passada, professores em planejamento ficaram ensopados durante um temporal.
Suspenderam as atividades para “socorrer” material escolar e livros acondicionados numa sala improvisada, conta a professora Ana Carolina Galvão Marsiglia. De acordo com ela, a reforma é uma antiga reivindicação, só acatada na metade de janeiro. “Como faríamos se as crianças estivessem hoje em aula. É tudo lama”, comentou. Neste caso, os custos da reforma vão além dos R$ 7 mil liberados para o “trato” nas escolas, cujo investimento total no Estado é de R$ 37 milhões.
Outros R$ 142 milhões foram liberados em janeiro para reformas em 225 escolas paulistas.
Material escolar
Todas as escolas estaduais já estão com os materiais escolares para os alunos. Cada qual deverá definir como entregá-lo, desde que aconteça durante o início das aulas. Neste ano a Secretaria de Estado da Educação ainda determinou a entrega de mochilas a todos os estudantes. Uma novidade na rede é que os alunos que precisam de aceleração terão recuperações aplicadas já no mês inicial das aulas, com materiais específicos.
Os estudantes das escolas estaduais também já terão acesso às mudanças na ortografia brasileira. Os guias curriculares e os materiais produzidos pela pasta já respeitarão as novas regras.
“Trabalhamos firmemente para um início de ano letivo organizado, com novidades pedagógicas e estruturais. É importante a participação dos pais e responsáveis na vida escolar. Queremos que seja um ano importante para a evolução do ensino em São Paulo”, afirma a secretária de Estado da Educação, Maria helena Guimarães de Castro.