09 de julho de 2026
Articulistas

Vocação


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É a disposição geral do indivíduo pela qual ele se sente atraído a um determinado gênero de vida, a uma carreira ou profissão. Disposição esta que pode ser nata ou resultar da influência do meio social, ou mesmo familiar, já que as primeiras orientações surgem no lar. Isso não quer dizer que, obrigatoriamente, o filho é a transparência do que lhe ensinam no lar, porque, muitas vezes, esta orientação básica começa a ser destruída pelo convívio escolar. Aqui, efetivamente, começa a formação moral para aprimorar o caráter da criança. Muitos líderes, embora com educação exemplar no lar, ou mesmo na escola, desabrocham para comandar uma plêiade da sociedade, impingindo doutrinas e ensinamentos que seu entendimento vocacional estabelece como certo. A humanidade está repleta de vocações e líderes desse padrão: Cristo, os Apóstolos, Hitler, Mussolini, Gengis Kan, Buda, Gandhi, Lamarca. Paulo, em Carta aos Coríntios, informa que deveriam criar condições para que outros pudessem continuar construindo e convivendo, e tantos outros cujos nomes não me vêm à memória, propagam este entendimento.

Assim, perfilam por nossa sociedade nomes de titulares, muitas vezes anônimos, cujas vocações poderiam ser discutidas, aproveitando-se o bom e rechaçando-se o ruim. Mas, uma de uma coisa temos certeza, desfilando ou não em nosso ambiente, eles tentam inculcar seus conhecimentos, às vezes de caserna, onde o despotismo é uma realidade, já que impossível o contraditório. Mas honra seja feita. Eles tentam, a todo custo, impor sua vocação sem permitir que os outros possam vinculá-los a uma realidade fática, ou aproveitar seu potencial energético para benefício da comunidade. Apresentar uma teoria vocacional para debate é saudável, e porque não dizer, louvável. Querer impor conceitos e preconceitos resulta de má formação humanista.

Não é aquela história de “tal pai, tal filho”, embora algumas pessoas revelem precocemente sua vocação. Deus dá às pessoas uma certeza inconfundível de Sua vontade. É questão de oportunidade. Respeitemo-nos, pois, cada qual dizendo para que veio, o que faz, e como contribui para uma sociedade melhor, mais fraterna e compreensível. Por isto, escrevi, sejamos como o colibri. É melhor darmos nossa gota d’água para apagar o incêndio, e não o contrário, colocar mais brasa no braseiro. Nossa sociedade carente precisa de nosso apoio, de nossa participação, de nossa colaboração. Vamos dar nosso quinhão, sem melindres, dentro da realidade social existente. Pior cego é o que não quer ver. A psicologia determina que orientações vocacionais sejam ministradas nas escolas. Talvez, com orientação psicológica, que falta no despótico, tenhamos melhor realidade social, evitando recrudescimento do nazismo.

O autor, Itamir Crivelli, é advogado