09 de julho de 2026
Política

Após 45 dias, acaba lua-de-mel dos vereadores com o prefeito

Renato Cirino
| Tempo de leitura: 5 min

A terceira sessão ordinária da Câmara Municipal de Bauru, realizada ontem, mostrou a elevação da temperatura dos discursos dos vereadores em relação ao prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) e indicou o fim da “lua-de-mel” na relação entre os poderes. O clima de tranquilidade entre os integrantes do Legislativo e o chefe do Executivo foi quebrado pela crítica direta sobre a falta de ações do governo, indefinição de programas em relação a secretários e dúvidas sobre planejamento.

As críticas começaram pelo vereador Roque Ferreira (PT), partido que integra a base de apoio e participa do governo. Ele apontou a má educação de alguns secretários no tratamento com os servidores. “Tem secretário fazendo gestão por estresse e faz a dança das cadeiras só para mostrar que tem poder”, disse. “Trata os servidores com falta de urbanidade e fazem ameaças”, emendou Roque.

Ele alertou também que o mandato dos secretários e do prefeito acabam, mas o cargo do servidor fica, “principalmente o concursado”. Roque não quis dizer para quem era direcionada a crítica, mas segundo apuração feita pelo JC as palavras ecoam na direção da presidência da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), que está nas mãos de Rubens Ribeiro de Barros Filho, o Rubito.

Roque fez um alerta ao prefeito: “Rodrigo tem que estar atento ao serviço dos secretários”, disse. Apesar de pertencer à coligação que elegeu Rodrigo, o petista revelou que não faz alinhamento político. “Isso me dá liberdade para questionar ele e os secretários”, comentou.

Fabiano Mariano (PDT) bateu na mesma tecla de Roque e criticou os secretários. “A maneira que os servidores estão sendo tratados me preocupa”, disse. “Não queremos bater nas secretarias, mas estamos atentos ao que está acontecendo”, frisou.

Amarildo Aparecido de Oliveira (PPS) também não ‘alisou’ o prefeito. O vereador disse que Rodrigo não está cumprindo seu plano de governo, pois não tem projeto para o desfavelamento da cidade e afirmou que a Prefeitura não tem terrenos para conceder à Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano (CDHU). Amarildo também reclamou da morosidade do Executivo em encaminhar demandas. Ele disse que uma empresa com mais de 1.000 empregados diretos quer, desde o governo passado, área para ampliar seus negócios e que não está conseguindo encaminhar seu pleito também nesta administração.

O presidente Pastor Luiz Barbosa (PTB) mostrou que ainda não engoliu a negativa de Rodrigo para seu projeto de colocar mão-de-obra de presidiários do regime semi-aberto na limpeza das ruas de Bauru. “Tinha conversado antes e ele havia apoiado tinha concordado com minha idéia, mas depois de uma reunião que fizemos aqui na Câmara, ele fez vários questionamentos à proposta”, revelou. Marcelo Borges (PSDB) entrou na polêmica. “Não dá para aceitar a sujeira de cidade”, disse.

Já o vereador Natalino Davi da Silva (PV) fez críticas ao estado das ruas na Pousada da Esperança, inclusive com vídeo dos lugares apontados por ele. “Os moradores pagam imposto, mas a política pública se preocupa mais com a aparência do que com asfalto, educação e saúde”, afirmou. “O prefeito tem que aproveitar essa oportunidade de liderar o Executivo para restaurar essa cidade”.

Outro lado

Para o prefeito Rodrigo Agostinho, a enorme demanda vinda dos bairros e o acúmula de chuvas nesta época do ano antecipa as cobranças. “É normal que os vereadores apontem para as cobranças que vêm dos bairros. Nós estamos trabalhando muito para resolver problemas, apesar das dificuldades e vamos superar os obstáculos. Com as chuvas bairros inteiros ficaram intransitáveis em diferentes pontos da cidade e é natural que os vereadores demonstrem insatisfação. Estamos correndo para atacar o que é urgente e definindo prioridades”, comentou.

Agostinho contou que, para o problema das ruas nos bairros, a prefeitura deve alugar máquinas para atender emergências. “Nós estamos recuperando três motoniveladoras, mas como é reforma completa não sai rapidamente. Só temos uma trabalhando e com as chuvas fica impossível atacar várias frentes. Queremos alugar máquinas para repor a situação emergencial. Depois implementamos o planejamento já discutido com os secretários para as ações por prioridade”, ampliou.

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Inoperância da Sear

A Secretaria das Administrações Regionais (Sear) recebeu atenção especial dos vereadores. Essa secretaria foi reativada por Rodrigo em 2009, já que havia sido desativada por Tuga Angerami em 2007. A Sear possui o secretário Claudio Gomes e mais 11 funcionários nomeados, que, por enquanto, apenas encaminham pedidos dos moradores, como de capinação e tapa-buraco, para as pastas correspondentes. Das sete antigas Regionais, três foram ressuscitadas – Bela Vista, Falcão e São Geraldo.

A faísca que incendiou o plenário foi acesa por Marcelo Borges. “É importante montar a Sear com estrutura para prestar serviço à população”, disse. “Qual resposta essa secretaria está dando? Os nomeados estão lá sem prestar serviço e ganhando”, emendou.

O líder do governo na Câmara, Renato Purini (PMDB), revelou que já conversou com Rodrigo sobre o tema. “É necessário planejamento e eu já cobrei o prefeito”, disse. “Até agora não sabemos a real finalidade da Sear e o que os funcionários estão fazendo. Temos que planejar e funcionar em 2010”, completou. Borges voltou à carga e afirmou que “está sendo tirado dinheiro do população por compromisso político”.

Roque também não perdeu tempo para criticar a polêmica secretaria. “Não se justificam essas nomeações se não sabem o que é para fazer”, disse o petista, cujo secretário indicado é colega de partido. “Encheu uma secretaria para função nenhuma. O prefeito tem que explicar o que está acontecendo”, apontou Borges. Já Amarildo quer saber o que foi feito desde a nomeação dos funcionários até agora na Sear.