07 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O poder da dança


| Tempo de leitura: 2 min

Gostaria de parabenizar a Associação de Danças de Bauru (Adab) e a Secretaria de Cultura de Bauru pelo evento “Mostra de Dança Estudantil e Grupos Independentes”, realizado no dia 13 de novembro do ano passado, no Teatro Municipal Celina Lourdes Alves. Como bailarina e professora de dança na rede escolar, afirmo a importância de se incentivar a cultura e a arte em geral nas escolas. Num mundo contemporâneo, onde o que parece prevalecer é o individualismo, o mecanicismo do cotidiano, a falta de paciência e de sensibilidade com o próximo, a educação através da arte, no caso a dança, pode ser a porta de salvação para um mundo mais humano e mais justo. Priorizamos o culto ao corpo e esquecemos da alma, do espírito, que precisa se fortalecer para nos dar consciência desse corpo que dança e se movimenta diariamente. O alimento da alma, sem dúvida, é a arte.

Como sabemos, o ramo é desvalorizado em nosso País. Não há incentivo, são poucas as fundações e empresas que aceitam e acreditam na arte como mudança, financiando os trabalhos de gente competente, que trabalha e se expõe em favor dessa causa.

Gente que, muitas vezes, trabalha sozinha, formando grupos independentes que acreditam numa verdade que não é a de uma academia e que, por isso, merecem nossa admiração. Não somos remunerados pela arte que fazemos. Nas escolas, somos, muitas vezes, desfavorecidos em função das aulas que seriam “mais importantes” do que a de dança. Dança é terapia para o corpo e para a mente. Educa os sentidos, o respeito ao próximo e incentiva o companheirismo. Dá noções de espaço, de tempo, criando situações que nos faz fugir do “sempre igual”, do rotineiro. É inadmissível que escolas desvalorizem tais benefícios, pois completam o indivíduo em formação tanto quanto as outras aulas da grade curricular.

Acredito no poder da dança, em todos os sentidos. E, por isso, parabenizo a iniciativa de eventos desse porte. Agradeço ao público que nos prestigiou com sua presença e respeito e aos grupos independentes e escolas que mostraram sua arte. Há um longo caminho a percorrer, mas estamos no caminho certo.

Michelle Alves