Os políticos são uma espécie milenar e universal, isto é, uma espécie de indivíduos que existe há milênios e encontrada em todas as partes do planeta. Diz o dicionário do Aurélio que espécie é o “conjunto de indivíduos muito semelhantes entre si e aos ancestrais”. A semelhança aqui está na motivação e nos meios empregados para a conquista do poder. Embora haja os que desejam o poder com finalidade altruísta, pensando em melhorar a vida dos outros, a maioria deseja o poder com finalidade egoísta, para satisfazer a vaidade do mando ou para se enriquecer, ou para ambos.
Os casos de finalidade altruísta são raros. São pessoas despojadas de vaidade e que não procuram o enriquecimento. Pelo contrário, abrem mão do que têm para ajudar os que necessitam. Dificilmente se elegem. Aqui em Bauru tivemos o caso do doutor Alfeu Sampaio, que ajudava todo mundo e não conseguiu se eleger prefeito. E os que se elegem dificilmente passam de um mandato. Há, também, os que sonham em ver implantada uma ideologia igualitária, de justiça social. Chegam até a usar a força na luta para conseguí-la, mas ficam sempre em minoria. Nos casos históricos em que conseguiram, a motivação mudou para o gozo de privilégios.
O que a maioria dos políticos procura mesmo, é a conquista do poder e a riqueza, porque é ela que garante a manutenção do poder. A riqueza, entretanto, não pode ser conseguida somente com subsídios ou salários auferidos dos cofres públicos. Basta multiplicá-los pelo número de meses e anos e se verá que, por maiores que sejam, não geram fortuna. O que gera fortuna é a corrupção no exercício da função pública ou na influência sobre ela. Não há necessidade de citar exemplos. Eles são tantos que a gente até estranha o dia em que os jornais e a televisão não dão notícia a respeito.
Embora sejam uma espécie disseminada, tendo como características as mesmas motivações, diferem de atitude ao serem pegos em delito, de acordo com a moral e os costumes dos países de origem. Políticos indicados para compor o governo de Barack Obama, nos EUA, ao serem denunciados por corrupção ou por sonegação de impostos, imediatamente renunciaram. No Japão, na Coréia e em outros países asiáticos, não só renunciaram como alguns se suicidaram. Enquanto isso, aqui no Brasil, a primeira coisa que fazem, ao serem denunciados, é negar. Os textos da imprensa já são padronizados: “Fulano está sendo acusado de ter recebido dinheiro da empresa X por superfaturamento. Procurado pela imprensa ele nega.” Em todos os casos sempre negam. Lembra-se de Renan Calheiros e do Severino Cavalcante? Enquanto puderam, negaram e quando não deu mais para negar, renunciaram para não perder os direitos políticos.
Outra diferença, também, está no corporativismo. CPIs e Comissão de Ética, em vez de corrigirem aquilo que é vergonhoso e darem um basta na impunidade, procuram acobertar. Dias atrás, a Câmara dos Deputados soltou o bode na horta, indicando o deputado Edmar Moreira, o homem do castelo medieval de 25 milhões de reais, para corregedor e presidente da Comissão de Ética. Mas, graças à campanha sem trégua da imprensa, revelando apropriação indébita de contribuição dos empregados de sua empresa ao INSS, calote no Banco do Brasil e sonegação de impostos, o homem renunciou dessas funções para não perder o cargo. Alexandre Garcia, em comentário na TV perguntou: “Com tantos deputados, será que nenhum sabia da situação do indicado?” E respondeu: “É que Edmar construiu o castelo antes de ser deputado e os que usaram o cargo de deputado para construir o seu, não quiseram atirar a primeira pedra.” A confirmação vem da boca de um dos fundadores do PMDB, senador Jarbas Vasconcelos, à revista Veja: “Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção.”
O autor, Pedro Grava Zanotelli, é ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru