A regra financeira dita que quanto maior o valor da entrada no parcelamento do imóvel mais alívio o mutuário tem com as parcelas. Mas a regra de 50% do saldo devedor no ato do reparcelamento caiu ontem à noite, após reunião encerrada às 22h40 entre mais de 300 moradores do Núcleo Mary Dota, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) e o presidente da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab), Édison Bastos Gasparini Júnior.
O encontro foi realizado em um salão que abriga o clube de bocha no bairro. Moradores cobraram do novo governo a alteração nas regras para renegociação das prestações. Até agora, a Cohab exige 50% do saldo devedor como entrada para a renegociação.
O prefeito Rodrigo Agostinho reconheceu que, embora dentro de critérios técnicos em razão da alta inadimplência, a regra praticamente impedia que a maioria dos moradores tivessem oportunidade de regularizar as prestações em atraso. “Nós prometemos discutir com os moradores uma nova fórmula para aliviar os contratos. Ninguém vai ter casa sem pagar, mas a Cohab vai flexibilizar a negociação dentro daquilo que for possível. A exigência de 50% do saldo devedor no reparcelamento caiu após esta reunião”, disse o prefeito.
Segundo o presidente da Cohab-Bauru, Gasparini Júnior, o núcleo habitacional entregue em meados de 1991 tem no total 3.638 contratos, dos quais cerca de 2.900 estão em processo de cobrança pela companhia por inadimplência. Apesar da Cohab ter dado prosseguimento ao cumprimento de decisões judiciais de retomada de casas de quem não pagou e foi executado, nos últimos anos, pelo menos 500 moradores devem há mais de três anos.
Os contratos originais do núcleo foram firmados em prazos de 20 e 25 anos. A renegociação oferecida pela Cohab será de até 100 meses. Em alguns casos, a companhia vai avaliar a viabilidade de estabelecer novo sistema de correção (ao invés da atual tabela Price para outro indicador que alivia a evolução do valor das parcelas mensais).
A presidente da Associação de Moradores do Mary Dota, Elizabete Bueno Storto, comentou que em seu cadastro há pelo menos 280 moradores com dificuldades em honrar o contrato. Segundo a presidente, no início de março a Cohab prometeu enviar equipe ao bairro para dar orientações e dar prosseguimento no processo de renegociação. “O prefeito prometeu abrir diálogo com os mutuários ainda na campanha e veio aqui, o que é um avanço. Vamos buscar alternativas para os moradores colocarem seus contratos em dia”, comemorou.
A subseção local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acompanhou a reunião entre o Executivo e os moradores. Há preocupação da entidade em que mutuários não sofram prejuízos com má orientação jurídica oferecida no mercado. Quem tiver contrato de gaveta terá de regularizar a documentação.