11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Vigilantes de Bauru levam calote de parlamentar mineiro dono de castelo

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Salários atrasados, benefícios recolhidos e não repassados, irregularidades no pagamento de vales. Mais de 50 vigilantes de Bauru e região também sofreram com o prejuízo deixado pela F. Moreira Empresa de Segurança e Vigilância LTDA. A companhia, em nome do deputado federal Edmar Batista Moreira (sem partido-MG), atuou na cidade entre 2000 e 2005. O parlamentar – que tem um castelo em nome de seu filho no interior de Minas - é acusado de dar o calote em mais de 1,5 mil vigilantes em todo Interior de São Paulo. O caso está no Tribunal Regional do Trabalho, em Campinas.

“Quando vi que ele tinha um castelo, fiquei indignado”, relata um vigia entrevistado pelo Jornal da Cidade que preferiu não se identificar. Ele começou a trabalhar na F. Moreira em 2000, em Bauru. Durante os sete anos que trabalhou para o grupo – em 2005 ele passou a atuar por outra empresa também do deputado – não recebeu os repasses de férias, Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

“Tudo era descontado, mas não era repassado. Nos últimos dois anos, os salários começaram a atrasar. Fiquei endividado no banco, supermercado”, relata. Quando ficou sabendo que o responsável pela empresa era investigado por sonegação e desvio de recursos do INSS, além de não ter declarado um castelo avaliado em R$ 25 milhões que disse estar em nome de seus filhos, o vigia não se conformou. “Não é possível. Fiquei muito revoltado. Como o governo permitiu que ele fornecesse serviço para empresas do Estado?”, questiona.

Ele e outros três vigilantes que trabalhavam juntos na empresa entraram há mais de um ano com uma ação contra a prestadora de serviços. Ao todo, ele calcula ter cerca de R$ 53 mil a receber. “Dois já conseguiram receber o FGTS. Mas o resto ainda não foi depositado”, conta. Segundo informações obtidas pelo Jornal da Cidade, em Bauru, a F. Moreira prestava serviços para o Banco do Brasil, Santander, Banco Real e Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU).

Mas o vigia não está esperançoso com as ações contra o deputado. “Acho que vai acabar em pizza”, lamenta. O Sindicato dos Bancários de Bauru ofereceu denúncia contra a empresa do parlamentar ao Ministério Público do Trabalho. De acordo com o diretor da entidade, Paulo Tonon, cerca de 50 vigilantes ficaram até três meses sem salários quando a empresa saiu da cidade. A F. Moreria não tinha sede em Bauru, de acordo com o apurado pela reportagem. Um representante cobria a região e visitava mensalmente os municípios da área de abrangência.

“A firma deixou de atender o banco, mas os vigilantes tiveram que continuar trabalhando até que fosse contratada alguma empresa em caráter de emergência. Eles trabalharam de graça por 60, 90 dias”, lembra o sindicalista. “Teve casos dos funcionários do banco fazerem vaquinha para comprar uma cesta básica ou pagar o transporte para o vigilante poder trabalhar”, relata.

Ele avalia que o maior problema é a contratação de empresas terceirizadas não idôneas para o serviço de segurança. “Os vigilantes ficaram abandonados e nós denunciamos o descaso”, diz.

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Investigado

Dono de um castelo em Minas Gerais, o deputado Edmar Moreira (sem partido-MG) é averiguado na corregedoria da Câmara dos Deputados pelo uso que fez da verba indenizatória de R$ 15 mil mensais. Desde que renunciou ao cargo de segundo vice-presidente e corregedor da Câmara, há dez dias, Moreira não foi mais visto na Casa e não registrou presença nas sessões.

O pedido de investigação, feito pelo PSOL, é baseado na suspeita de que Edmar Moreira tenha usado a verba indenizatória para gastos irregulares com segurança. A corregedoria vai apurar se os pagamentos beneficiaram empresas do deputado, de parentes ou de sócios.

Edmar foi acionado para apresentar as notas fiscais que comprovam os gastos com segurança, indicando as empresas que receberam pelo serviço.

No dia seguinte à eleição da Mesa Diretora da Câmara apareceram suspeitas de sonegação fiscal e desvio de recursos do INSS. O deputado é dono de um castelo de R$ 25 milhões e alega que não declarou ao Imposto de Renda porque a propriedade foi doada para seus filhos. Na semana passada, o DEM desfiliou o deputado.