09 de julho de 2026
Internacional

Ministério Público confirma que Paula mentiu

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Zurique - A Procuradoria Geral de Zurique confirmou que a brasileira Paula Oliveira, 26 anos, confessou no último dia 13 que mentiu à polícia quando contou ter sido atacada por neonazistas e sofrido um aborto após a agressão.

Segundo um comunicado divulgado ontem, Paula confessou que os cortes em sua pele foram feitos por ela mesma, e que jamais esteve grávida.

Anteontem, a Procuradoria já havia aberto uma ação penal contra Paula por falsa denúncia, crime que prevê pena de três anos de cadeia ou pagamento de multa. Ela também teve o passaporte apreendido e está proibida de deixar a Suíça até o fim das investigações.

Um advogado foi indicado pela Procuradoria para defender a brasileira, que voltará a ser interrogada na próxima semana. Segundo Roger Muller, o defensor público que assumiu o caso, Paula prestará novo depoimento provavelmente na próxima terça-feira ao procurador do caso, Marcel Frei.

A gravidez de Paula já havia sido descartada por um laudo independente, mas a polícia continuava afirmando que a agressão continuava sendo investigada. Porém, a publicação da informação por um semanário de Zurique acabou levando a Procuradoria a confirmar ontem a confissão.

Segundo o comunicado da Procuradoria, não está claro qual foi a motivação de Paula e se ela teve cúmplices na farsa.

Marcel Frei informou à reportagem que, além de Paula, também vai interrogar o namorado dela, Marco Trepp. O jornal “Tages Anzeiger” disse anteontem que entre as suspeitas estão a possível intenção de Paula de receber uma indenização do Estado até forçar o namorado a casar com ela.

“Em 13 de fevereiro de 2009, (Paula) declarou que não aconteceu nenhum ato de agressão, e que ela tinha aplicado as feridas de corte nela por si própria’’, diz o comunicado. “Quando confrontada com o resultado dos exames ginecológicos, ela confirmou que não tinha se encontrado em estado de gravidez’’.

A confissão de Paula ocorreu na sexta-feira, dia 13, horas antes de a polícia desmentir a sua gravidez e indicar que suspeitava de automutilação. Ainda assim, afirmou que investigava a versão de Paula de que fora agredida por três neonazistas na periferia de Zurique. Ontem o desmentido se tornou oficial.

O pai da brasileira, o advogado Paulo Oliveira, não quis falar com a imprensa. O namorado de Paula continua sem ser localizado.

O Itamaraty informou que continuará dando apoio consular e atuando como facilitador no caso da advogada.

Contradições

As muitas contradições no relato de Paula Oliveira levaram a polícia a desconfiar de sua versão desde o início, mas foi um detalhe aparentemente insignificante que a levou a confessar a farsa: um teste de gravidez caseiro, que disse ter comprado numa loja da Migros, a maior cadeia de supermercados da Suíça.

Quando a polícia disse que a Migros não vendia o teste, Paula não resistiu mais à pressão e finalmente confessou: gravidez e ataque haviam sido inventados.