10 de julho de 2026
Internacional

Israel: Peres tenta negociar governo de união

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Tel-Aviv - Incumbido de indicar o próximo premiê israelense, o presidente Shimon Peres, convocou reuniões separadas para hoje com o ex-premiê Binyamin Netanyahu, líder do direitista Likud, e com a chanceler Tzipi Livni, do centrista Kadima. Sua meta é persuadi-los a formar um governo de união nacional.

“Tenho a intenção de fazer um esforço suplementar para convencer os partidos que cooperem em vista à constituição de um governo amplo e estável”, afirmou Peres, que receberá Netanyahu antes de Livni.

O nome do futuro chefe de governo deve ser anunciado até segunda-feira, e ele terá prazo de até seis semanas para forjar uma coalizão parlamentar.

A legenda da chanceler foi a que mais obteve assentos no Knesset (Parlamento unicameral) na eleição do último dia 10, com 28 cadeiras. O Likud veio logo atrás, com 27, mas Netanyahu consolidou ontem o apoio de mais da metade dos legisladores eleitos.

O ex-premiê recebeu oficialmente o respaldo do partido ultranacionalista Israel Beitenu, terceiro colocado na eleição, com 15 eleitos. Avigdor Liberman, líder da sigla, ontem se reuniu com Peres, externando sua opção - o que elevou para 65 o número de parlamentares que apoiam a indicação de Netanyahu como premiê. Se assumir, será a primeira vez que o cargo não ficará com o partido vencedor da eleição em Israel.

Apesar de não ter descartado integrar um governo de maioria estreita, Liberman defendeu o acordo entre os aspirantes a premiê. “Precisamos de um governo amplo, com os três grandes partidos -Likud, Kadima e Israel Beitenu. Netanyahu irá liderar, mas será um governo dele e Livni juntos.”

Mas a líder do Kadima rejeitou a ideia, pelo menos publicamente. “Hoje foi plantada a fundação de um governo de extrema direita liderado por Netanyahu. Este não é nosso caminho e não há nada para nós em tal governo”, declarou ela em mensagens SMS a 80 mil membros do seu partido, que atualmente lidera o governo.

]Mais tarde, ao acompanhar a visita do senador americano John Kerry à cidade de Sderot, ela disse não ter “intenção de alterar nenhuma fração do rumo do Kadima”, que descreveu como “avançar no processo de paz e combater o terrorismo”.

Impasse

A declaração de Livni na presença de um colega do presidente americano Barack Obama no Partido Democrata ilustra a dificuldade que Netanyahu deve enfrentar para implantar suas propostas.

Ele é contra o Estado palestino e a devolução dos territórios ocupados por Israel, defende a expansão das colônias israelenses e já sustentou a proposta de um ataque ao Irã.