Em excesso e nos horários em que a pino, o sol faz mal à saúde. Mas não se expor a ele também é prejudicial. É o que aponta pesquisa publicada neste mês por um jornal de uma universidade de cardiologia americana, o Journal of the American College of Cardiology. O estudo aponta que, além de problemas em ossos, dentes e músculos, a falta de vitamina D, obtida principalmente pela exposição ao sol, pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e derrame.
Isso porque a vitamina D atua na absorção do cálcio, além de manter as concentrações de fósforo no sangue e favorecer o metabolismo e as funções musculares, cardíacas e neurológicas. O dermatologista Cláudio Joaquim Sampaio Tonello explica que 15 minutos de exposição são suficientes para a absorção do sol e a produção de vitamina na pele. “Isso pode ser obtido entre as atividades rotineiras do dia, andando para lá e para cá”, frisa.
Apesar dos benefícios que o sol pode trazer para a vida das pessoas, é importante lembrar que a exposição em excesso não é recomendável, principalmente entre 10h e 16h. Pode trazer uma série de prejuízos ao organismo, como queimaduras, envelhecimento precoce da pele, problemas oculares e alergias, além do câncer de pele. Daí a importância de se proteger contra as radiações ultravioleta A (UVA) e ultravioleta B (UVB), as principais responsáveis pelo dano solar.
As pessoas que recorrem ao bronzeamento artificial feito em máquinas, acreditando que, desta forma, podem compensar a falta de contato com o sol, cometem um grande erro. Conforme Tonello, esse procedimento não traz nenhum benefício à saúde. Ao contrário, é contra-indicado. As clínicas de bronzeamento artificial prometem segurança aos clientes, por oferecer um banho intenso de UVA. Porém, pesquisas científicas comprovaram que também os raios UVA, em altas doses, podem gerar tumores, além de acelerar o envelhecimento da pele.
No Brasil, desde 2002 há legislação que restringe o bronzeamento artificial para menores de 16 anos e a jovens com idade entre 16 e 18 anos que não apresentarem autorização do responsável legal. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também determina que as clínicas devem apresentar à vigilância local um termo de ciência e avaliação médica do cliente, realizada pelo menos 90 dias antes do início das sessões, além de um cadastro de clientes atendidos pelo estabelecimento com datas, duração e intervalos das sessões de cada um e registro de reações ocorridas nas sessões.
Ainda assim, Cláudio Tonello adianta que a Sociedade Brasileira de Dermatologia está buscando formas de proibir o procedimento. “O benefício é para quem tem a máquina. Para as pessoas, não há benefício algum”, alerta.
Além de ser relaxante e ecologicamente correta, fazer uma caminhada no fim de tarde, praticar esportes ao ar livre ou mesmo ir a pé para o trabalho são opções muito mais saudáveis do que utilizar câmaras de bronzeamento. Lúcia Reis, professora da arte marcial tai chi chuan, geralmente praticada em parques, frisa a importância do contato com o sol, nos devidos horários.
“O tai chi trabalha bastante a captação energética. Estar em contato com o sol, logo cedo ou à tardezinha, é revigorante, além de ser ótimo para a saúde”, afirma. Para quem, por estilo de vida ou falta de tempo, passa muito tempo em ambientes fechados, recomenda-se que comam alimentos ricos em vitamina D, como peixes (salmão, sardinhas, bagre, atum), óleo de fígado de bacalhau e de peixe, cogumelos, ovos, leite e cereais.