Ocorrida no século 16, a polêmica em torno da venda de indulgências pela Igreja Católica foi estopim da Reforma Protestante. “Precisamos levar em conta que a corrupção sempre existiu na história da humanidade e que, naquele tempo, o papa não atuava como simples sacerdote, mas como governante temporal”, explica o professor de artes, cultura e literatura Antônio Walter Ribeiro Júnior.
Leão X, papa responsável pela venda das indulgências, era membro de uma das famílias mais poderosas da Europa, os Medicis. Era natural de Florença, na Itália, e entrou para a história como um líder extravagante e esbanjador. Envolveu a Igreja em diversas expedições militares que visavam fortalecer politicamente sua família.
Em seu pontificado, foi construída a basílica de São Pedro, em Roma. As obras, aliás, levaram a Santa Sé à bancarrota. Para livrar a Igreja dos apuros financeiros, o papa resolveu lançar mão da venda de indulgências e angariar recursos. Em 1567, para desfazer a polêmica, a Igreja Católica proibiu a venda dos benefícios espirituais.
Atualmente, os luteranos - assim como os demais adeptos do segmento evangélico - não acreditam em indulgências ou confissões. “Na nossa visão, a função de Igreja é ensinar a palavra de Deus à pessoa para que ela tenha condições de voltar seu coração a Jesus e se arrepender. Essa conversão, porém, ocorre mediante a ação da graça divina”, explica o pastor Alexandre Manoel da Costa.
Católicos que desejarem alcançar indulgências plenárias terão primeiramente de se arrepender de seus pecados. Em seguida, precisarão passar pelos ritos da confissão e da comunhão. O fiel deverá então orar na intenção do Sumo Pontífice e, por fim, cumprir uma obra prescrita pela Igreja (visitar um local sagrado ou fazer uma obra de caridade).