09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Professor mostra prós e contras da ISO 14.001

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 5 min

Os impactos ambientais gerados pelo desenvolvimento industrial e econômico do mundo atual constituem um grande problema para autoridades e organizações ambientais. Neste cenário, a preocupação ambiental direciona empresas a adotarem posturas importantes para a compreensão do seu papel na sociedade, levando em consideração os custos decorrentes de seus atos.

Foi pensando nisto que o professor universitário José Roberto Serra defendeu a dissertação de mestrado em engenharia de produção intitulada “Benefícios e dificuldades da gestão ambiental com base na ISO 14.001 em empresas industriais”, na Universidade Estadual Paulista (Unesp) câmpus Bauru.

Com o objetivo de conhecer as dificuldades e os benefícios da certificação ISO 14.001, Serra estudou e levantou dados de empresas do Estado de São Paulo durante três anos. Foram entrevistadas 69 das 194 empresas que até 2008, de acordo com o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), haviam adotado o sistema de gestão ambiental.

“A problemática ambiental no meio empresarial está associada às novas exigências de mercado. O estudo mostra que, em um balanço geral, os benefícios da certificação são maiores do que as dificuldades”, afirma.

Serra explica, que de acordo com o levantamento do trabalho, o alto custo de adaptação – que inclui a implantação de novos sistemas, treinamento de pessoal, adequação da estrutura organizacional, descarte adequado de resíduos, manutenção do sistema e auditorias externas – ainda é o vilão das empresas na hora de adotar a certificação ISO 14.001.

“Apesar de saber que mais tarde todo o investimento será revertido em benefícios, empresas ainda lutam contra os valores necessários para a implantação da gestão”, revela o professor. “Em um primeiro momento os custos da empresa aumentam, mas o retorno é garantido e revertido em ganhos, como na redução do consumo de energia elétrica. Além disso, as empresas se tornam mais atrativas para investidores, pois as ações preventivas evitam riscos de contaminação do meio ambiente, entre outros”, acrescenta.

O estudo também mostra que a atuação de uma empresa ambientalmente responsável tem influência positiva entre os empregados e colaboradores, que passam a valorizar mais o local de trabalho. “Além disso, a certificação ISO 14.001 mostra bom resultado na imagem da empresa perante a mídia e a sociedade. Essa gestão mostra o comprometimento da organização com seu desempenho ambiental, o que transmite responsabilidade e confiabilidade”, explica Serra.

Outro ponto negativo, para os empresários, é o excesso de mudanças nas leis ambientais. “Elas estão em constantes mudanças e é preciso se adaptar. Mas, se o atendimento aos requisitos legais foram adotados e seguidos, pode minimizar a possibilidade de multas, evitando custos imprevistos”, revela o autor do trabalho. “Diante de todos esses resultados, o trabalho concluiu que, apesar do alto custo para adaptação e implantação da certificação, as vantagens no decorrer do tempo são superiores”, finaliza Serra.

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O que é a certificação

A ISO (sigla em inglês para International Standardization for Organization) é uma organização não-governamental sediada em Genebra, fundada na década de 40. A série de normas ISO 14.000 especifica os elementos de um sistema de gestão ambiental (também chamado de SGA) e oferece ajuda prática para sua implantação ou aprimoramento.

A norma ISO 14.001 inclui os elementos centrais do sistema de gestão ambiental para a certificação. A empresa que possui este certificado é capaz de atestar responsabilidade ambiental no desenvolvimento das atividades de uma companhia.

De acordo com informações da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), entre os pré-requisitos para uma empresa se certificar estão: cumprimento da legislação ambiental, diagnóstico atualizado dos aspectos e impactos ambientais de suas atividades, procedimentos-padrão e planos de ação para eliminar ou diminuir impactos ambientais, além de pessoal devidamente treinado e qualificado e campanhas internas constantes.

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USP abre curso sobre comunicação pública

O professor Bernardo Kucinski vai ministrar a partir de março, na Universidade de São Paulo (USP), um curso pioneiro sobre a comunicação pública e de governo, no qual pretende compartilhar suas experiências como assessor do presidente da República, assim como seus estudos in loco sobre comunicação da Casa Branca e de Downing Street.

O curso terá 12 aulas, uma por semana, às quintas-feiras, das 14h às 17h, com início em 5 de março e término em 21 de maio. Entre os temas a serem abordados estão os conceito de comunicação pública, sociedade da informação, e governo eletrônico; o lugar estratégico da comunicação na política e as estratégias de comunicação de políticas públicas e de propostas políticas controversas.

Entre os estudos de casos propostos estão a estratégia de comunicação da Embrapa, o episódio da expulsão do correspondente do “New York Times” Larry Rohter, o projeto editorial do Suplemento Agrícola do “O Estado de S. Paulo”, a batalha midiática em torno do projeto de captação das águas do São Francisco e a experiência das “Cartas Críticas”, que o professor Bernardo e sua pequena equipe produziam todas as manhãs para o presidente.

O curso foi concebido para ter como público-alvo estrategistas de comunicação de governos e suas instituições e empresas, incluindo os estaduais e municipais, assim como de movimentos sociais, centrais sindicais, grandes sindicatos, ongs e partidos políticos. Uma das intenções do professor é fazer do curso um espaço de intercâmbio das experiências desses participantes.

O curso será ministrado no Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicação e Artes (ECA/USP), à avenida Professor Lucio Martins Rodrigues, 443, prédio 2, sala 1, Cidade Universitária, São Paulo (CEP 05508-000).

As vagas foram limitadas a 40 e serão preenchidas por ordem de pedido de matrícula, que tiveram início em 9 de fevereiro e prosseguem até 27 de fevereiro. Mais informações com Paulo César ou Tânia, pelo telefone-fax (11) 3091-4058 ou pelo e-mail pcbontempi@usp.br.