10 de julho de 2026
Bairros

Universitários respondem por 15% dos aluguéis

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 5 min

Nesta época, a correria em busca de imóveis para alugar por parte dos alunos que chegam para estudar na cidade é muito grande. A procura é tamanha que muitos proprietários que antes se recusavam a locar seus imóveis para esse público estão revendo seus conceitos. Tanto que quem vive desse mercado não reclama e, pelo contrário, investe ainda mais em novos apartamentos.

De acordo com Patrícia Gil, proprietária de uma da mais antigas imobiliárias na cidade, nesta época do ano o aluguel para universitários é carro-chefe de qualquer imobiliária. “Esse público chega a responder por cerca de 15% do movimento anual em locação em Bauru”, afirma.

Alguns estudantes, diz Gil, se assustam com o valor do aluguel, mas a proprietária da imobiliária explica que o preço é praticado pelo mercado. “Não tem diferença se o futuro locatário é estudante ou alguém que veio para trabalhar e morar sozinho na cidade”, afirma.

Em geral, os valores de aluguéis começam com R$ 400,00 para apartamentos com um quarto, sala, cozinha - na maioria das vezes integrada -, banheiro e uma pequena área de serviço. Em muitos casos, o número de quartos ajuda a determinar o preço.

No caso do aluguel de residências, o valor é um pouco maior. Uma casa com dois quartos e demais cômodos não sai por menos de R$ 1.000,00 e também aumenta de acordo com a sua capacidade de alojar mais pessoas.

Guilherme Busch, proprietário de imobiliária, conta que a cada ano a desconfiança dos proprietários de imóveis diminui em relação aos estudantes porque as regras estão explícitas em contrato. Hoje, dificilmente acontece algum problema, mas quando ocorre os pais são avisados pelo telefone ou e-mail e cobrados a tomar alguma providência. “Em caso de baderna no imóvel, por exemplo, basta ligar uma vez para o pai responsável pela locação que o problema é resolvido para sempre”, garante.

Segundo Busch, dificilmente o aluguel é feito no nome do aluno, mas sim no dos pais, que por vezes também acabam assinando o contrato como fiadores. Para tentar minimizar o impacto do valor do aluguel no orçamento dos alunos ou da família, montar uma república pode ser uma boa saída.

Como muitos universitários chegam na cidade sem conhecer ninguém, Patrícia Gil decidiu fazer uma lista de alunos que vão morar em Bauru e têm interesse em dividir o aluguel com outros estudantes. A idéia é fazer a ligação entre esses estudantes.

“Temos na imobiliária o cadastro de diversos alunos interessados em alugar um imóvel e que aceitam dividir o apartamento ou a residência com outras pessoas que também estão chegando a Bauru e que estão na mesma situação, sem um lugar definido para morar”, explica.

Para tanto, os estudantes que chegam até a imobiliária decididos a alugar um imóvel com outras pessoas recebe um lista de pessoas cadastradas com telefone, MSN e e-mail para trocar informações e, quem sabe, formar uma república.

Para facilitar o acesso à moradia, a dica dos proprietários de imobiliária é procurá-la perto do local de estudo. Sendo assim, os prédios próximos às faculdades geralmente têm esse perfil de receber estudantes.

Para ampliar o atendimento a esse público, Daniel Hadad, sócio de outra imobiliária da cidade, conta que durante todo o ano os agentes buscam imóveis novos junto às construtoras ou usados juntos aos seus proprietários para oferecer o maior número possível de opções para os estudantes.

Mas já há alguns pais que estão preferindo comprar os imóveis para que seus filhos possam morar, relata Hadad. Depois do período de estudo, o apartamento ou a residência acaba sendo vendido ou até mesmo alugado para novos estudantes. “Como esse mercado se valoriza a cada ano, comprar o imóvel para os filhos morarem e depois alugar para outros estudantes pode ser um excelente negócio”, recomenda Hadad.

Ele lembra que a documentação exigida para se fechar um contrato de aluguel para estudantes é a mesma solicitada em outras situações. “Temos uma equipe jurídica que cuida de tudo isso, da verificação cadastral de pais e fiadores e também da vistoria do imóvel, que deve ser devolvido ao final do contrato em perfeitas condições”, completa.

____________________

Negócio atraente

Ainda é possível encontrar imóveis onde o negócio é fechado direto com o proprietário sem a intervenção de imobiliárias. Alguns pais procuram esse tipo de contrato pois acreditam em economia no valor final.

Rosemeire Scriptore Monteiro, proprietária de dois prédios com apartamentos destinados para estudante e sócia de um terceiro edifício, explica que o preço é, sim, um pouco mais em conta, mas as exigências contratuais seguem as regras do mercado.

Com os 76 apartamentos que administra alugados, Monteiro não esconde a satisfação com o mercado escolhido. Tanto que anunciou que está investindo na construção de um novo prédio de sete andares com mais 28 apartamentos e que deve ficar prontos até o final deste ano. “A procura é muito grande, é anunciar e alugar”, afirma.

De acordo com ela, atualmente poucos apartamentos estão vagos para locação. “Geralmente, quem aluga o imóvel fica nele até o final da faculdade, outros arrumam um emprego na cidade e continuam a morar no apartamento”, relata.

Monteiro conta que não tem muito problema com indisciplina dos universitários. De acordo com ela, as regras existem e todos têm ciência delas. “Caso haja abuso, nós temos punições que são multas no valor de um salário mínimo”, lembra.

Incluindo o condomínio, a locação de um imóvel administrado por ela fica, em média, R$ 400,00. “O imóvel possui um quarto, sala, cozinha e banheiro e pode ser alugado por até duas pessoas”, conta. De acordo com ela, em geral, os contratos são fechados com os pais e os estudantes nem sabem o quanto vale o aluguel do imóvel.