Londres - Um residente britânico preso em Guantánamo por mais de quatro anos retornou ao Reino Unido como um homem livre ontem e acusou o governo dos Estados Unidos de torturá-lo com métodos “medievais”, com a conivência britânica.
Binyam Mohamed, cidadão etíope com residência no Reino Unido, foi solto depois que o governo britânico requisitou na semana passada sua libertação. Todas as acusações contra ele foram arquivadas, e Mohamed nunca foi julgado. A prisão de Guantánamo abriga suspeitos de terrorismo.
Mohamed, 30 anos, foi o primeiro prisioneiro de Guantánamo solto desde que o presidente dos EUA, Barack Obama, tomou posse com a promessa de fechar a polêmica prisão.
Organizações defensoras dos direitos humanos dizem que 241 prisioneiros permanecem no local, incluindo outro residente do Reino Unido.
“Eu tive uma experiência que eu nunca pensei em me deparar nos meus mais sombrios pesadelos”, afirmou ele em um comunicado divulgado por seus advogados, depois de informar que não teria condições mentais e psicológicas de conceder entrevistas.
“Antes dessa experiência, ‘tortura’ era uma palavra abstrata para mim. Eu nunca pude imaginar que seria sua vítima. Para mim, é difícil acreditar que eu fui raptado, mudado de um país para outro e torturado de formas medievais - tudo orquestrado pelo governo dos EUA”, acrescentou.
Mohamed, que foi detido no Paquistão em abril de 2002, também criticou o governo do Reino Unido. Segundo ele, oficiais dos serviços de inteligência paquistaneses o agrediram durante os interrogatórios com a presença de agentes britânicos.
Em julho de 2002 ele foi transferido para o Marrocos, onde ficou até setembro de 2004, quando foi levado para Guantánamo.
Visita
Ontem, o secretário da Justiça dos EUA, Eric Holder, visitou Guantánamo e voltou a exortar outros países a receberem prisioneiros liberados da base.
O destino dos detentos é o maior entrave à promessa do presidente Barack Obama de fechar a prisão até janeiro de 2010, já que a maioria deles ou está em um limbo jurídico que os impede de serem julgados nos EUA ou, uma vez solta, corre risco de perseguição e tortura em seus países de origem.
“A amizade e a assistência da comunidade internacional é vital para que fechemos Guantánamo’’, disse ele em nota, agradecendo ao governo britânico por receber Binyam Mohamed.