09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Criação, evolução e interação em dois mundos


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Li com muita atenção no JC as mais variadas posições sobre o tema Evolução e Criação, estimulado pelos duzentos anos do nascimento de Charles Robert Darwin (12/02/1809 a 19/04/1882), bem como pelas posições, oportunas do dr. Lourenço A. Zequi (JC, Opinião, 18/02/2009). Procurei assistir às programações pertinentes ao tema – evolução - que foram veiculadas nos canais de TV a Cabo National Geographic e Discovery Channel, que discorreram com profundidade e clareza sobre a vida e as pesquisas iniciadas, pelo mesmo, desde muito jovem, inclusive aqui no Brasil. Reforcei ainda mais a minha convicção de que a luz e a verdade, aqui na Terra, são oriundas dos debates sadios, amplos e com as mais variadas posições ofertadas pelas pessoas, em geral, em veículos de comunicação independentes, compromissados com o progresso e a evolução das pessoas na sociedade em que elas vivem, independentemente de cor, raça, credo e condição sócio-econômica.

Pela trajetória da minha vida, devo registrar aqui, sem medo de errar, de que não poderia eu me sentir feliz e realizado somente pelo cultivo do progresso material e da minha fé inata e inabalável em Deus, sem que houvesse respostas às minhas inúmeras indagações ocorridas desde a pré-adolescência, envolvendo a origem, a natureza e o destino do ser sobre a terra.

De família simples e vivendo na adversidade dos serviços brutos, na zona rural, nunca me foi imposta qualquer regra de fé. Isto me permitiu, principalmente quando estudava nas escolas agrícolas de Cabrália Paulista (dos 10 aos 12 anos), no ginásio, também em Cabrália (dos 13 aos 17 anos) e no Colégio Agrícola de Jaú (dos 17 aos 20 anos), viver com uma certa liberdade para ler de tudo o que me ofertavam. Surpreendia-me, cada vez mais, e sempre imaginava que iria viver a vida toda na mais completa ignorância acerca dos chamados mistérios, inclusive sobre a vida após a morte.

Mas, como "tudo tem seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu" (Ec 3 - 1), quando aos 20 anos de idade caminhava nas ruas de Piratininga-SP, no final do ano de 1975, recebi de um companheiro de pousada de trabalho (um grande operador de máquinas agrícolas na Fazenda Globo – Sobar – aonde eu trabalhava como técnico agrícola), Município de Agudos-SP, uma pergunta: “Zé, você acredita em reencarnação?”. Surpreso com a pergunta, respondi que sim, sem saber discerni-la da ressurreição. Em seguida surgiu uma outra: você gostaria de ler um livro espírita? Claro, respondi de pronto. Qual não foi a minha surpresa ao receber emprestado O Livro dos Médiuns sem ao menos ter uma idéia dessa terminologia e o que foi mais impressionante: nunca tinha ouvido falar de Espiritismo.

Ao folheá-lo, de pronto fui tomado por um misto de emoção, surpresa e profunda satisfação quando me detive na lógica do capítulo II denominado de “O Maravilhoso e o sobrenatural” que, com clareza, refuta os argumentos dos opositores e concede, assim, com maestria, a chave para a compreensão da evolução em dois mundos: “Se a crença nos Espíritos e nas suas manifestações fosse uma concepção isolada, o produto de um sistema, poderia com certa razão ser suspeita de ilusória. Mas quem nos diria então porque ela se encontra tão viva entre todos os povos antigos e modernos, nos livros santos de todas as religiões conhecidas? Isso, dizem alguns críticos, é porque o homem, em todos os tempos, teve o amor do maravilhoso. – Mas o que é o maravilhoso, segundo vós? – Aquilo que é sobrenatural. – E que entendeis por sobrenatural? – O que é contrário às leis da Natureza. – Então conheceis tão bem essas leis que podeis marcar limites ao poder de Deus? Muito bem! Provai então que a existência dos Espíritos e suas manifestações são contrárias às leis da Natureza; que elas não são e não podem ser uma dessas leis. Observai a Doutrina Espírita e vereis se no seu encadeamento elas não apresentam todas as características de uma lei admirável, que resolve tudo o que os princípios filosóficos até agora não puderam resolver” (KARDEC, Allan, O Livro dos Médiuns, Ed. Lake, 8a edição, 1978).

José Quaglio