09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O drama da falta d’água


| Tempo de leitura: 4 min

Vivemos em um planeta com uma superfície abundante em água. Um volume total de 1 bilhão e 400 milhões de km³. Desse volume, aproximadamente 97,2% são de água salgada; 2,15% são águas em forma de gelo; 0,62% localizadas nos lençóis freáticos; 0,009% nos rios e lagos e 0,001% na atmosfera.

O Brasil corresponde a 13,7% de toda água doce do Planeta Terra, porém 80% de toda nossa água está na bacia amazônica (região Norte mais o Estado do Mato Grosso), com menos de 5% da população do país, sobrando para 19 Estados e o Distrito Federal 20% restantes de água doce do Brasil, portanto, 20% para 95% da população Brasileira.

Os bauruenses estão começando a enfrentar o que vários países ao redor do Planeta Terra já enfrentam há algum tempo. Segundo dados oficiais da ONU, 80 países estão sofrendo com problemas no abastecimento de água, metade dos países em situação gravíssima. São 2 bilhões de pessoas com problemas de abastecimento de água e as previsões são de que esse número vai dobrar em 20 anos. Muitos desses 80 países são países ricos. Estados Unidos, Bélgica, Hungria, Tailândia, Portugal, China, Índia.

Apenas 20 países estão no continente africano e 11 deles no Oriente Médio. Na China, por exemplo, das 500 cidades 300 sofrem com graves problemas de abastecimento de água. Nos Estados Unidos a situação de abastecimento de água em alguns Estados (Califórnia, Texas, Arizona, Novo México) já é gravíssima, todo o sudoeste Norte Americano está com problemas de abastecimento e a água para o consumo humano virá do Alasca em um projeto de abastecimento muito caro e inviável para maioria dos países do Planeta.

No Brasil a situação também já é grave em várias cidades. Recife, Florianópolis, São Paulo e Belo Horizonte são alguns exemplos. A cidade de São Paulo está perto do limite. O volume de água de rios e represas disponível hoje é praticamente igual à demanda da população. A metrópole, de certa forma, já importa água. As represas da região metropolitana, abastecidas por nascentes, só dão conta de metade do consumo da cidade. O resto é bombeado da bacia dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, cujas águas naturalmente correriam pelo interior do Estado (mais de 100km de distância).

A água da cidade de São Paulo é a tempos subsidiada pelo Estado. Bauru que até meados da década de 70 era totalmente abastecida pelo Rio Batalha hoje utiliza 60% de água do Aquífero Guarani para abastecer a cidade. Em Ribeirão Preto, 100% da água para abastecimento já vem do Aquífero, e o que era para ser uma reserva de água subterrânea para as futuras gerações esta sendo utilizado de forma irresponsável nos dias atuais. Outro agravante é que o Brasil por ser um país com dimensões continentais, nós temos uma visão de abundância, o que favorece o desenvolvimento de uma consciência de inesgotabilidade, sem preocupação com a escassez. As pessoas agem de uma forma como se a água nunca fosse acabar, o que cria uma elevada taxa de desperdício. Esse desperdício, segundo a Sabesp, ultrapassa os 70%. Um exemplo do desperdício é o ato de escovar os dentes. Só no Estado de São Paulo são gastos em média por habitante 14 litros. Todas as manhãs no Estado de São Paulo são desperdiçados mais de 560 milhões de litros de água tratada (40.442.795 milhões de habitantes (IBGE) x 14 litros = 566.199.130 litros de água).

Todos nós sabemos que a água é um recurso natural esgotável essencial para nossa sobrevivência e a de todas as espécies que aqui habitam, a nossa dependência em relação à água é vital, e por esse motivo temos que repensar nossas atitudes e fazer das pequenas ações individuais a força transformadora que o Planeta Terra necessita. Ter atitudes conscientes em relação aos nossos hábitos de consumo é a melhor e talvez única maneira de se mudar o mundo. Portanto economize água, luz, recicle seu lixo, faça a sua parte e ajude a construir um futuro melhor para todos nós, não se limitando a fazer apenas o que esperam de você. Não importa pra quem, quando e de que maneira faça sempre o seu melhor. Preserve o Planeta!

Cleberson K. Ferreira - presidente da ong Comvida