08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Conotação e denotação


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Eis o desabafo: em nota oficial, “o presidente da Câmara municipal de Bauru, Pastor Luiz Carlos Rodrigues Barbosa (PTB) ... critica (o prefeito) Rodrigo e (a sua) falta de ação” (JC pág.3, 28/2). É deveras triste e constrangedor ter quase que a obrigação de informar, prevendo, não só ao pastor/presidente da Câmara (interessante, nunca gostei de misturar as funções de operador ou praticante de quaisquer cultos ou religiões com política), mas também a toda a população deste município que “conversar com todos, mas sem definir para onde vai (sua administração) e o que será feito” (sic) será, até o último dia do atual mandato, a marca registrada, a tipicidade desta administração, se algo não mudar.

Infelizmente, mais uma vez, tudo indica que deixamos escoar pelos ralos de esgotos - que não levam e, pelo andar da carruagem, nem levarão a nenhuma estação de tratamento (ETE)- mais quatro anos de uma gestão que já se prenuncia inépta! E percebam, por favor, que o primeiro a assim se manifestar é um quadro recém-eleito do PTB, presidente do nosso Legislativo, inscrito e alistado em um dos partidos da base de apoios de Agostinho nas últimas eleições. Calculem se não fosse.

A bem da verdade, a nota do senhor Pastor, se analisada morfologicamente, tem aspectos conotativos e denotativos apresentados em estilos diversos, o que faz crer que seja uma espécie de miscelânia escrita a quatro ou seis mãos.

Como estamos apenas no início do exercício de um mandato de quatro anos, estas mal traçadas linhas trazem no seu bojo a intenção de berrar aos quatro ventos: ainda há tempo de mudar!

Só depende das pressões e imposições do povo desta cidade e que, mais que poder, nós devemos, pelo bem de Bauru, exercer essas pressões! Se dependermos dos políticos, “tudo ficará como dantes no quartel de Abrantes”... Escrevam para jornais, revistas, sirvam-se das rádios locais para “botar a boca no trombone”... Não esperem nada, mas nada mesmo da oposição, porque, parece-me, ela se inspira na oposição “fausse blonde” do Legislativo Federal. A bronca do presidente do Legislativo Municipal é, mais que para aparecer, “para inglês ver” !

Ao prefeito, relembro aquela mesma frase que um funcionário do Império Romano repetia nos ouvidos dos Césares, até quase levá-los à loucura, durante o percurso, de seus lares até o local em que se efetivariam as suas posses, no Senado: “Memento mori, carpe diem” (Lembra-te que és mortal e goze o momento). Jovem Rodrigo Agostinho: tome, efetivamente e de uma vez por todas, posse do seu mandato! As cerimônias são nuvens passageiras e se esgarçam com o tempo... Os atos, quaisquer atos, ficam registrados, mais que nas atas e nos escaninhos oficiais, na memória de um povo!

João Guilherme Ortolan