10 de julho de 2026
Regional

Impasse tira maior empresa de navegação da hidrovia Tietê-Paraná

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 2 min

A DNP Indústria e Navegação, que é responsável pela movimentação de 70% de toda a carga que passa pela hidrovia Tietê-Paraná, anunciou oficialmente por meio de seu diretor Pedro Burin que não irá mais operar pelo modal. Sem a companhia, a hidrovia deverá começar março, época em que o transporte de grãos e açúcar aumenta com o início das colheitas de soja e cana de açúcar, com apenas 30% de sua operação total.

O diretor da DNP limitou-se a informar que a decisão é irreversível e a companhia iniciou um processo de entendimento com outras empresas menores. Ele não confirmou se esses contatos, visam o acerto para que essas empresas possam dar continuidade ao transporte pela hidrovia.

Sem a maior transportadora da hidrovia, a previsão é a de que o volume de carga com destino ao porto de Santos, 97% do que transita pela hidrovia, passe a ser transportado sobre caminhões, uma modalidade de transporte muito mais cara, perigosa e poluente.

O problema da DNP teve início depois que os comandantes fluviais da companhia de navegação desrespeitaram a exigência de desmembramento dos comboios de quatro barcaças que cruzam o vão sob a ponte da SP-191, no interior de São Paulo, na região de Botucatu.

A Marinha exige que todos os comboios da companhia, sejam ancorados e as tripulações executem manobras de desmembramentos dos comboios para a passagem de duas barcaças por vez sob a ponte. A Capitania do Tietê-Paraná alega que a operação faz parte das medidas de segurança e tem o objetivo de evitar acidentes, como choques entre os comboios e os pilares da ponte.

Os principais produtos transportados pela companhia, são a soja em grão e farelo além do açúcar. De acordo com Burin, desde o dia 2 de dezembro quando duas das tripulações da empresa foram suspensas pelo Comando do 8º Distrito Naval, e portanto, proibida de navegar cerca de 250 mil toneladas contratadas deixaram de ser transportadas até agora. A empresa foi obrigada a paralisar suas operações quando no dia 15 de dezembro, outras cinco tripulações também foram impedidas de comandar comboios de transporte de soja e açúcar.

Em 2008, a DNP transportou 1,2 milhão de toneladas de soja e projetava elevar esse volume para 1,4 milhão a 1,5 milhão de toneladas neste ano não fosse a punição aplicada pela Marinha. A DNP demitiu os 200 empregados que mantinha, inclusive em cidades como Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) e Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru).

O Comando do 8º Distrito Naval não se pronunciou sobre o assunto. Apesar do período de suspensão de parte dos comandantes ter terminado, a empresa não conseguirá novas autorizações para navegar na hidrovia enquanto não pagar as multas aplicadas pela marinha. Burin nega esses débitos e justifica que não houve trânsito em julgado para as constetações.