08 de julho de 2026
Regional

Presidente da Cooperhidro classifica o desfecho do impasse como lamentável

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 2 min

A falta de entendimento entre a DNP Indústria e Navegação, maior empresa de transporte que opera na hidrovia Tietê-Paraná, e o Comando do 8º Distrito Naval, órgão da Marinha do Brasil, resultará em imensos prejuízos. A opinião é de Carlos Antônio Farias de Souza, presidente da Cooperativa do Pólo Hidroviário (Cooperhidro) de Araçatuba.

“O Governo Federal, ao lançar o Plano de Mudanças Climáticas (PMC) do Brasil, fez questão de incentivar o transporte de cargas pelas hidrovias e esse impasse entre a empresa, que é hoje a responsável por 70% de todo transporte feito pela principal hidrovia brasileira e a Marinha, representa um passo para trás nos avanços conseguidos até o momento”, explica Souza. Para o presidente da Coopehidro, falta bom senso do Comando do 8º Distrito Naval para resolver esse impasse sem que o desenvolvimento e a produção estadual sejam ameaçadas.

O presidente da Cooperhidro lembra ainda que a indústria brasileira passa por um período bastante complicado, tem uma crise mundial às portas e enquanto no mundo todo se procura alternativas para redução de custos no transporte, o encerramento da companhia DNP pela hidrovia é lamentável.

De acordo com ele, a paralisação da DNP gerará uma desconfiança muito grande por parte dos usuários da hidrovia. “Nós construímos o que a rodovia é hoje, com essa decisão voltamos a estaca zero novamente”, lamenta. Para o presidente da Cooperhidro, o Estado não conta no momento com uma melhor e mais em conta alternativa de transporte se não pela hidrovia e esse problema todo apenas afasta novos investimentos de quem pretendia utilizar o modal para transportar sua produção. Novas empresas que poderiam começar a investir na hidrovia também se afastam e isso atrapalha ainda mais, já que 90% da capacidade de transporte da hidrovia se encontra ociosa.

Para o presidente da DNP, Pedro Burin, a justificativa dada pela Marinha em obrigar o desmembramento das embarcações por questão de segurança cai por terra quando se olha para os números da navegação no Estado. De acordo com ele, em 15 anos do modal, apenas uma morte foi registrada. “O transporte fluvial é o mais seguro, o mais barato e o que menos polui, por isso ele é incentivado no mundo inteiro, exceto aqui que se faz de tudo para que ele não se desenvolva”, reclama.

Para justificar a não transposição com quatro barcaças pelas pontes e eclusas construídas ao longo da hidrovia Tietê-Paraná, o Comando do 8º Distrito Naval cita cinco graves acidentes, inclusive com desmoronamento, provocado pelo impacto das embarcações nas pilastras de sustentação.

Burin rebate a justificativa do comando dizendo que como as pilastras das pontes já receberam a proteção contra choques, a decisão não tem mais fundamento. “Quanto aos acidentes ocorridos, saliento que nenhum deles ocorreu com embarcações da DNP e que eles ocorrerão quando as pontes não contavam com esse tipo de proteção”, explica.