10 de julho de 2026
Regional

Trecho paulista da hidrovia possui 800 km de vias navegáveis

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 3 min

Administrado pelo Departamento Hidroviário (DH) órgão da Secretária Estadual dos Transportes, o trecho paulista da hidrovia Tietê-Paraná passa por diversas cidades da região, incluindo Barra Bonita, Jaú, Bariri e Pederneiras. Nos 800 quilômetros paulista foram construídos 10 reservatórios e barragens, 23 pontes, 19 estaleiros onde foram construídas todas as embarcações que operam no sistema, compondo uma frota de 39 empurradores e 151 barcaças.

Além disso, o trecho conta ainda com 30 terminais intermodais de cargas que localizados nas proximidades da Hidrovia Tietê-Paraná e de responsabilidade do setor privado, servem para processar a matéria-prima ou armazená-la até sua transferência para outro modal.

Nos últimos 15 anos, a infra-estrutura criada transformou o modal em uma alternativa econômica e sustentável para o transporte de carga, além de propiciar o reordenamento da matriz de transportes da região centro oeste do Estado e dessa maneira conseguiu impulsionar o desenvolvimento regional de cidades da região.

Em toda sua extensão, o sistema hidroviário Tietê-Paraná possui 2.400 quilômetros de vias navegáveis de Piracicaba e Conchas, ambos no Estado, até Goiás e Minas Gerais (ao norte do País) e Mato Grosso do Sul, Paraná e Paraguai. A hidrovia liga por meio de canais navegáveis dos rios, cinco dos maiores estados produtores de soja do País e é considerada a hidrovia do Mercosul. Além do transporte de grãos, açúcar e cana a hidrovia está sendo preparada para transportar também o álcool combustível.

As embarcações que navegam pela hidrovia compartilham do mesmo espaço físico das barragens das usinas hidrelétricas que foram construídas com o conceito de aproveitamento múltiplo das águas, abastecem o Estado de São Paulo de energia ao mesmo tempo em que possibilitam a navegação, a irrigação de culturas agrícolas, o turismo fluvial, os esportes náuticos e o lazer, entre outras atividades.

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Hidrovia opera apenas 10% de sua capacidade de tráfego

Projetada para suportar o tráfego de 20 milhões de toneladas de carga por ano, a hidrovia consegui atingir em 2008, 10% de sua capacidade de transporte. Dados apontam que, no ano passado, passaram cerca de 2 milhões de toneladas pelo canal de navegação que interliga as regiões produtoras do Centro-Oeste aos terminais de Pederneiras e Anhembi.

De acordo com DNP Indústria e Navegação o desmembramento dos comboios das chatas de cargas é uma exigência que reduz brutalmente a produtividade da hidrovia é apontada pela maior armadora do Tietê-Paraná como uma das razões para o baixo volume de carga transportada por essa modalidade no Estado. Com paralisação das operações da maior transportadora da hidrovia, toda a carga que antes era transportada pelos canais de navegação agora deverá voltar a ser feita por caminhões, modalidade de transporte mais cara existente no país.

Os números sobre a capacidade de transporte dos comboios mostram o potencial que hoje está sendo ignorado pelo país. Uma embarcação com quatro barcaças transporta em média 6.000 toneladas, volume equivalente a 60 vagões, ou cerca de 200 carretas a mais nas rodovias. De acordo com os preços cobrados atualmente, cada tonelada transportada pela hidrovia custa cerca de US$ 0,025 por quilômetro. O valor sobe para US$ 0,064 na ferrovia e para US$ 0,084 quando a carga é transportada em rodovias.

Desemprego

Dois dias depois de ter seus sete comandantes suspensos pelo comando do 8º Distrito Naval, órgão da Marinha do Brasil, a DNP Indústria e Navegação maior empresa de transporte que operava na hidrovia Tietê-Paraná comunicou aos seus 200 funcionários que estava encerrando suas atividades e a dispensa de todos.

Sem poder operar e cumprir os contratos de transporte, a empresa também não poderia arcar os compromissos com seus funcionários. De acordo com Pedro Burin, diretor da DNP, a empresa empregava dezenas de pessoas em diversos municípios paulistas, inclusive em cidades da região como Bariri, Pederneiras e Barra Bonita.